08 de julho de 2026
Nacional

Suzane é transferida para penitenciária

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Ré confessa do assassinato dos pais, Suzane Louise von Richthofen, 22 anos, foi levada no final da tarde de ontem em um carro da Polícia Civil para a Penitenciária Feminina Sant’Ana (zona norte de São Paulo). Desde anteontem, quando voltou à prisão após nove meses de liberdade, ela era mantida algemada em uma sala no prédio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no centro da Capital.

De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária, a penitenciária para a qual Suzane foi levada abriga atualmente 1.307 presas, embora tenha capacidade para 2.400. Suzane se apresentou à polícia anteontem no 89.º DP (Portal do Morumbi), depois de ter a prisão preventiva decretada pelo juiz substituto da 1.ª Vara do Tribunal do Júri, Richard Francisco Chequini. Em sua decisão, ele afirmou que a liberdade de Suzane “coloca em risco a vida de testemunha do feito, no caso seu irmão Andreas von Richthofen”.

Ela chegou à delegacia acompanhada do advogado Denivaldo Barni, com quem mora, e foi levada para o DHPP por volta das 21h. O delegado titular do departamento, Marco Antônio Olivato, disse que Suzane parecia estar sedada e tinha dificuldades para responder perguntas. “A única coisa que ela declarou em relação à entrevista (exibida anteontem no programa “Fantástico”, da TV Globo) foi que os advogados a orientaram”, afirmou.

Em entrevista concedida na delegacia, Barni disse que a justificativa da prisão de Suzane foi um “mal-entendido” e que ele entendia que “estava na hora” de ela pleitear a administração dos bens dos pais. “Hoje ela é uma menina sozinha, julgada pela vida, sem alimentos, sem moradia, sem nada, sem nada.”

Crime

O julgamento de Suzane e dos outros dois réus confessos no caso, os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, está marcado para o próximo dia 5 de junho. Na época, Suzane era namorada de Daniel. Suzane estava em liberdade provisória desde junho de 2005, beneficiada por uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Sua prisão foi decretada um dia após a exibição de uma entrevista concedida ao programa “Fantástico”, da TV Globo. Tardelli já havia voltado a pedir a prisão de Suzane no início deste ano, sob a alegação de que ela estava foragida. O argumento, porém, não foi aceito pela Justiça. Naquela ocasião, os Cravinhos - que também haviam obtido liberdade provisória- voltaram a ser presos.

Entrevista

A entrevista aconteceu em duas partes: no apartamento de Barni, com quem ela mora, no Morumbi (zona oeste de São Paulo); e na casa de amigos de Suzane, em Itirapina (213 km a noroeste de São Paulo), onde o microfone da emissora captou as orientações do advogado dela, Mário Sérgio de Oliveira, e Barni. Os dois disseram a Suzane para chorar, interromper a entrevista e a dizer que não agüentava mais falar sobre o assunto. Foi o que aconteceu. “Chora”, diz Barni a Suzane, ao que ela responde: “Não vou conseguir”.

Segundo a Globo, ela interrompeu a entrevista onze vezes para chorar, mas em nenhuma delas havia sinais de lágrimas. “Ele (Daniel) me manipulava. Me dava muita, muita, muita droga. Dizia que se eu o amasse era para fazer isso ou aquilo”, afirmou Suzane na casa de Barni. Momentos depois, a reportagem exibiu as instruções do advogado Oliveira orientando Suzane a culpar Daniel Cravinhos. “Diz que ele obrigava você a fazer.”

Ao mostrar fotos de seus pais e de seu irmão, Andreas, Suzane disse sentir saudades de todos. “Eu queria voltar aos 15 anos, quando não conhecia ninguém daquela família”. Suzane se referia aos Cravinhos. Também ontem, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) disse que instaurou uma sindicância para avaliar a atuação dos advogados de Suzane, Oliveira e Barni. Oliveira faz parte do Tribunal de Ética da OAB e deverá ser afastado.