Corleone - Foi preso ontem Bernardo Provenzano, mafioso italiano que estava foragido desde 1963. Conhecido como “chefe dos chefes”, ele foi preso nas cercanias da cidade de Corleone, na Sicília. A polícia italiana havia montado um esquema de vigilância sobre sua família e conseguiu chegar a uma residência rural onde Provenzano, 73 anos, se rendeu.
Durante os anos em que se escondeu, Provenzano foi condenado à prisão perpétua por mais de uma dúzia de homicídios - de mafiosos e autoridades. A prisão do “Fantasma de Corleone” desviou a atenção da mídia da apuração das apertadas eleições parlamentares. Quando o mafioso saiu do carro da polícia em Palermo, foi recebido por uma multidão que gritava contra ele: “Assassino”.
Segundo as autoridades, câmeras que acompanhavam a movimentação de suspeitos de cumplicidade com o mafioso forneceram as informações que determinaram a prisão. Os investigadores relataram que perceberam um carregamento sair da casa da mulher de Provenzano havia alguns dias. Um carro foi deixando partes do carregamento em outras casas e hoje rumou ao sítio onde o homem foi preso. Era uma carga de lavanderia a que levou ao fugitivo número um da Itália, disseram as autoridades.
Delatores haviam contado à polícia que Provenzano escapou por tantos anos usando casas de camponeses sicilianos para pernoitar. A ilha é um pólo da atividade mafiosa, célebre pela desconfiança que a população comum tem em relação às autoridades.
Segundo promotores, Provenzano assumiu o comando da Máfia siciliana em 1993, depois que o “chefe dos chefes” anterior, Salvatore “Totó” Riina, foi preso em Palermo. Na época, estava em curso a Operação Mãos Limpas, que desbaratou esquemas mafiosos e enfraqueceu as organizações criminosas de todo o país.
Liderando a chamada Cosa Nostra, Provenzano mudou as atividades da Máfia. Segundo as autoridades, a máfia nos últimos anos trocou gradativamente as atividades de tráfico de drogas e extorsão por crimes do colarinho branco - no caso da Cosa Nostra, relacionados a licitações de serviços públicos sicilianos. Assim, diferentemente de quando Riina liderava, a Cosa Nostra sob o comando de Provenzano teria diminuído a prática de explosões e tiroteios. Mesmo enfraquecida, a máfia italiana ainda tem poder, como atestam denúncias de manipulação eleitoral -mafiosos teriam exigido que eleitores mandassem fotos das cédulas por celular como prova de obediência.