08 de julho de 2026
Nacional

No Brasil, Bachelet reafirma seu compromisso com direitos humanos

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - A presidente chilena, Michelle Bachelet, 54 anos, reafirmou ontem, em visita ao Brasil, seu compromisso com a luta pela defesa dos direitos humanos, assumido durante a sua campanha eleitoral. Ao receber da Universidade de Brasília (UNB) o título de doutora “honoris causa”, na manhã de ontem, ela destacou que a homenagem é um “reconhecimento do seu trabalho e do povo chileno.”

Durante a solenidade, Bachelet afirmou que o Chile “ratificará os tratados em defesa dos direitos humanos” dos quais já é signatário e assinará outros, “reafirmando o compromisso” com a luta pelos direitos das mulheres e com o combate à tortura, entre outros. Ela lembrou que, durante sua campanha eleitoral, um dos seus principais compromissos foi tratar o Chile como “o país de todos os chilenos”, que reconhece as vítimas de violações no passado, dialoga pela proteção das instituições democráticas e busca o avanço na defesa dos direitos humanos.

Bachelet também reconheceu a “responsabilidade” que assumiu ao chegar à Presidência diante de “tanta esperança” depositada pela população. Ela lembrou com satisfação da adesão do povo chileno à uma faixa utilizada por ela durante a campanha, com a qual defendia a idéia de que “o Chile são todos os chilenos”, sem a divisão de décadas passadas.

“Nos reencontramos como chilenos e cidadãos de uma única pátria”. Após o evento na UNB, Bachelet seguiu para o Palácio do Planalto, onde se reunirá com o presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e também com ministros. A presidente do Chile será recebida por Lula em um almoço no Palácio do Itamaraty.

À tarde, ela visita o Congresso Nacional e, no final do dia, o Supremo Tribunal Federal. Vitória Primeira mulher a presidir o Chile, Bachelet venceu as eleições em dois turnos. No primeiro ocorrido no final de 2005 ela obteve 45,95% dos votos como candidata do governo. Seus principais adversários foram Sebastián Piñeira, do Partido Renovação Nacional (direita), que ficou 25,41% dos votos, e Joaquin Lavin, do partido pinochetista União Democrática Independente, que obteve 23,22%. No segundo turno, realizado em janeiro último, ela alcançou 53,51% contra 46,50% de Sebastian Piñeira.

Vaias

Uma manifestação com vaias e cornetas constrangeu ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama, Marisa Letícia, durante os cerca de 15 minutos da cerimônia de chegada ao Palácio do Planalto da presidente chilena. Cerca de mil servidores públicos federais em greve, ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), se concentraram na praça dos Três Poderes, no final da manhã, justamente quando Lula e Marisa se posicionaram para esperar Bachelet, que fazia sua primeira visita ao País.

Assim que Lula surgiu no alto da rampa, os manifestantes passaram a vaiá-lo. A cerca de cem metros do presidente, os grevistas exibiam faixas pedindo o cumprimento de acordos do ano passado e a implantação de planos de carreira, além da paridade entre funcionários ativos e aposentados. Gritavam “Lula, seu traidor, cadê o aumento do servidor?” e “O povo na rua, Lula a culpa é sua”.

Impaciente, Lula tentou demonstrar descontração antes da chegada de Bachelet. “Precisa fazer a lista daqueles índios que estão ali fora”, disse, sorrindo a um auxiliar, assim que viu faixas da Funai entre os manifestantes. A chegada da presidente chilena não interrompeu o protesto.

Segundo assessores do governo, Bachelet não ficou abalada com o protesto.