10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Funcionário público não tem família


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Sr. Daniel Ferreira, parabéns por seu artigo do dia 06/04/06, também estou de pleno acordo com você sobre a infeliz colocação sobre a matéria publicada no dia 30/03/06, do sr. Fernando H. Costa, sobre nosso astronauta Pontes. Como um assunto chama outro, também vou contar a minha história. Desde já sei que por muitos isto é um caso banal, porque vai falar em um assunto onde a classe privilegiada não passou, e espero que nunca passe, porque dói muito na própria carne. E eu acho que todos eles não agüentariam passar metade do que estou passando, junto àqueles que amo.

Trabalhei durante 11 (onze) anos no Pronto-Socorro central daqui de Bauru, onde todos sabiam meu telefone, a qualquer hora que faltasse alguém da limpeza, e eles precisassem do meu serviço. Hoje, para esta autarquia, ele não existe mais. Faz exatamente nove meses que estou afastada do trabalho, por ter adquirido um problema grave no pulmão e no joelho esquerdo, por ter que me abaixar e levantar quantas vezes em doze horas fosse necessário, ou mesmo subindo e descendo escada, quando o meu trabalho que fazia com dedicação exigisse.

Hoje já passei por uma cirurgia no joelho esquerdo para reconstituição do menisco e desgastes no mesmo, devido a um médico praticamente dizer que eu não tinha nada, sendo que dois especialistas, um pneumologista e um ortopedista, provaram que meu problema era delicado, o que atestaram com exames, inclusive uma expirometria, que eu não tinha condições de mexer com produtos químicos, coisa que eu tinha que usar para desinfecção de quase todas dependências do meu local de trabalho, e um Raio X do joelho que meu ortopedista mandou. Ele disse-me que eu não tinha levado exames que comprovassem meu problema e recusou os dois atestados, acho que ele se esqueceu que, cada um dos especialistas cursou faculdade de medicina como ele, sendo que cada um em sua área que mais gostou, ele, sendo um especialista em estômago, deve se julgar o dr. sabe tudo, o intocável.

Então, caro colega, acho que posso chamá-lo assim, já que pensamos igual. Digo igual porque já sou quase uma sexagenária e tenho a mesma opinião, apesar de não conhecê-lo pessoalmente.

Olha como pensam os poderosos: para pagar o salário milionário de assessores, o senhor prefeito Tuga Angerami foi até São Paulo, e obteve liminar, garantindo assim o salário de seus correligionários. Para seus subordinados menores, que somos nós, não pode dar o nosso repasse salarial, para repor as perdas salariais, porque o município vai cair no caos. Só mesmo os poderosos têm valor, aqueles que trabalham de sol a sol, todos cobertos de suor e talvez até lágrimas, não podem dar um futuro melhor a seus filhos. Sabe por quê? Só os ricos e poderosos têm lugar ao sol, que ilumina a todos nós. Estes sim são uns pobres coitados, pensam que Deus pensa como eles. Aí é que está a cegueira deles. “É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha, que um rico soberbo entrar no reino do céu.”

Quando os outros coitados não sabem que Deus não faz distinção de cor, raça ou religião, tem todos nós como semelhantes.

Para terminar, e você possa ver quanta sujeira há no mundo, agora o outro médico da perícia disse que minha licença termina dia 30 deste, que voltarei a trabalhar com restrição, e que meu especialista em pulmão e o ortopedista terão que me dar alta. Desde novembro de 2005, ou para ser mais exata, desde o dia 18/11/2005, estou em repouso, agora é que fiz dez (10) fisioterapias, ainda não posso andar muito e nem dobrar o joelho. Vou ter que obedecer. Até agora já perdi R$ 3.600,00 em meu salário. Pergunto a você, existe justiça? E meu seguro da Mongeral que perdi depois de ter pago 36 meses, junto com o da Minas Brasil praticamente depois de onze anos de contribuição. Cadê justiça? Só tenho fé mesmo na justiça divina que não falha jamais.

Esmeraldina Duarte P. Rezende - RG 5.741.475-0