A política brasileira ainda é do tempo do “coronelato”. Atualmente, no Brasil, a classe política dominante, mesmo nos partidos, funciona de “cima” para “baixo”. Os candidatos municipais são meros somadores de votos para os capitães dos partidos. No interior, ninguém manda, ninguém decide, ninguém delibera, a direção central monopoliza qualquer decisão municipal. Tudo é feito como “eles” desejam.
Daí a constante procrastinação das decisões, quando, afinal, decidem por aqueles que mais votos podem oferecer para, na somatória, eleger a “cúpula partidária”, que são os mandantes dos partidos. Em todos os partidos políticos é essa a nomenclatura. Não se iludam os catadores de votos do interior. Por isto é preciso mudar a sistemática. É preciso que o povo conheça destas incongruências e tome decisões nos destinos da nação. Só o povo cultural e politicamente educado pode dirigir seus destinos. O mais é balela. Não convém para nós, que desejamos construir uma nação, a luta fratricida internamente, pois, além de desgastante, não leva a lugar nenhum, ao contrário, desmoraliza o que já existe para glorificação da máxima de “que na terra de cego quem tem um olho é rei”.
Ser candidato, ou desejar sê-lo, é uma aspiração de todos nós. Todos nos queremos, de alguma forma, participar das decisões para tentar impor nossas idéias, contribuindo para o engrandecimento de toda a nação, mas isto é difícil, ninguém aceita ninguém, a menos, é claro, que esteja em consonância com as idéias do próprio grupo; e aí, inicialmente participa-se com votos somatórios, tão somente. Assim é a vida política. Muitos lutaram, foram banidos, sofreram e sentiram a necessidade de retornar para impor conceitos e novas idéias. Até a imprensa esta engajada no sistema. Ela é permissionária e tem liberdade vigiada. O incidente do PSDB de Bauru, além de demonstrar a existência de “liberdade” dentro do partido, provou minha assertiva acima. Não é a direção local que procrastina, é o núcleo central que deseja o candidato que mais votos puder oferecer, para que eles continuem no poder. É minha visão cujo direcionamento é para todos os partidos, sem exceção.
Itamir Crivelli