09 de julho de 2026
Internacional

EUA admitem erro sobre as armas de destruição em massa

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Washington - A Casa Branca admitiu ontem que a declaração do presidente George W. Bush de que armas de destruição em massa haviam sido encontradas no Iraque, feita há três anos, foi baseada em dados de inteligência que mais tarde se provaram falsos ou incorretos.

Em 29 de maio de 2003, mais de dois meses após o início da Guerra do Iraque, Bush anunciou que dois pequenos traileres haviam sido capturados no Iraque e que eles serviam como “laboratórios móveis” para a fabricação de armas biológicas. “Achamos as armas de destruição em massa”, declarou Bush.

Informações sobre os traileres haviam sido apresentadas, antes da guerra, como as principais evidências oferecidas pela Casa Branca para justificar a invasão. O jornal “The Washington Post” e a rede de TV ABC informaram ontem que Bush fez a declaração quando a inteligência americana já sabia que os traileres não eram “laboratórios móveis”, mas, sim, equipamentos meteorológicos.

O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, no entanto, negou com veemência essa informação. Ele não respondeu se o próprio Bush, quando fez a declaração, sabia que a análise dos traileres já havia concluído que eles não estavam ligados às armas de destruição em massa. McClellan disse que Bush confiou em informações da CIA e da Agência de Inteligência da Defesa (DIA, na sigla em inglês).

Segundo o “Post”, a equipe americana a serviço do Pentágono que examinou os traileres concluiu que eles não tinham nada a ver com as armas proibidas. Essa informação foi repassada a Washington num relatório datado de 27 de maio de 2003.

No dia seguinte, a CIA e a DIA publicamente disseram o contrário - que as autoridades americanas acreditavam que os traileres eram “mais forte prova, até agora, de que o Iraque estava escondendo um programa de armas biológicas”. Um dia depois, Bush disse durante uma entrevista à TV polonesa que os EUA haviam finalmente achado as armas de destruição em massa, o principal argumento para o país ir à guerra contra o ex-presidente Saddam Hussein - em 2004, especialistas a serviço do governo concluíram que o Iraque parou de produzir armas desse tipo em 1991.