O empresário Arnaldo Turtelli, de Bauru, formou-se em engenharia e exercia a profissão até seis anos atrás. Entretanto, queria investir também em outro ramo e fez uma pesquisa de perfumaria e mercado. Chegou à conclusão de que a indústria de cosméticos poderia ser bastante promissora. E acertou. Ele abriu a Perfam, indústria de perfumes e cosméticos que faz produtos similares aos das grandes marcas importadas.
Localizada no Distrito Industrial 2, no último ano a produção da indústria cresceu 30%. Atualmente, são produzidos 30 mil frascos de perfumes mensalmente. Em 2001, quando a indústria iniciou a produção, eram apenas 500 frascos por mês. Com o sucesso do negócio, o empresário também está investindo em pesquisas. “Plantamos algumas mudas de babosa e estamos pesquisando para usá-las na fabricação de cremes para cabelo”, conta.
Como a matéria-prima para fabricação dos perfumes - a essência - é importada, o economista Wagner Ismanhoto acredita que o setor está se beneficiando com a queda do dólar nos últimos meses. “Se os empresários continuarem a vender o mesmo preço em real, o custo de produção é menor porque paga o dólar mais barato. Também pode baixar o preço e vender mais. Vai depender da empresa”, avalia.
Turtelli acredita que um dos motivos do crescimento das vendas da empresa é a forma de comercialização do produto: o marketing de rede. “Os vendedores trabalham de porta em porta e, aqueles que indicarem colegas para vender os produtos, recebem uma porcentagem de comissão”, explica. Já existem 38 mil distribuidores em todo País.
O empresário também ampliou sua fábrica no ano passado. As obras estão quase finalizadas e, agora, os funcionários também trabalham em um novo galpão. Ao todo, a empresa possui 900 metros quadrados, incluindo o setor de armazenamento dos perfumes.
Produção
A produção de perfumes não é tão complexa quanto pode parecer, mas requer análises em laboratório. “Guardamos amostras dos lotes de perfume e analisamos as essências adquiridas pela empresa. É uma maneira de assegurar a qualidade do produto”, explica a farmacêutica responsável da empresa, Glória Ramirez.
Em primeiro lugar, a essência do perfume é misturada com água e álcool em proporções adequadas. Depois, são levados para uma sala onde permanecem por 30 dias, sendo metade do tempo armazenados em local refrigerado e a outra metade em temperatura ambiente.
“O período é necessário para o perfume amadurecer. Isso dá mais qualidade ao produto”, explica Turtelli. Em seguida, os perfumes já prontos são colocados em frascos e lacrados. Todos são embalados e recebem lacre de plástico.
A maioria - 70% - dos perfumes são enviados via correio para os distribuidores. Mas outros revendedores buscam as encomendas através de transportadores ou mesmo pessoalmente, na fábrica.
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Vaidade
O povo brasileiro é considerado um dos mais vaidosos do mundo. Em primeiro lugar neste perfil estão os Estados Unidos (19,8%), seguidos pelo Japão (13,3%), França (6,1%), Alemanha (5,4%) e Reino Unido (5%). No segmento de perfumes, o Brasil está classificado em quarto lugar no ranking dos maiores mercados do mundo.
A dona de casa Marisa Cristina Barbosa, moradora da Bela Vista, estava acostumada a comprar perfumes de marcas famosas, mas gastava muito dinheiro. “Eu só comprava um perfume a cada dois anos, mais ou menos. Nesse tempo, o cheiro mudava e eu parava de usar o produto”, diz. Há cerca de três anos, resolveu comprar um perfume similar aos de marcas famosas. “Paguei mais barato e agora posso comprar mais”, diz.
Segundo pesquisa divulgada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) recentemente, no ano passado foram criadas 109 novas fábricas do setor de cosméticos, produtos de higiene pessoal e perfumaria, significando acréscimo de 8,7% no número de empresas do setor no País.
Existem no Brasil 1.367 empresas formalizadas no mercado, conforme dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de janeiro deste ano. Apenas 11,7% delas são consideradas de grande porte e apresentam faturamento líquido de impostos acima de R$ 100 milhões, correspondendo a 72,4% das vendas do setor. O restante, ou 88,3% das empresas da indústria da beleza, são micro, pequenas e médias e estão presentes em praticamente todos os Estados.