Um paciente de 77 anos foi submetido no último sábado a uma cirurgia inédita em Bauru: a operação de um aneurisma de aorta abdominal por meio da técnica endovascular. O procedimento foi realizado no Hospital da Unimed (HU) pelo angiologista e cirurgião vascular Francisco Ângelo Simi, assistido pela equipe do serviço de Hemodinâmica da unidade hospitalar e pela médica anestesista Cristiane Schwerdtfeger. O paciente teve alta já na segunda-feira e recupera-se em casa. A informação é da assessoria de imprensa do hospital.
A técnica endovascular aplicada é menos invasiva que a cirurgia convencional e indicada para casos de aneurismas de aorta e obstruções das artérias carótidas e do território ilíaco femural, explica o especialista. O aneurisma é uma dilatação anormal de um vaso ou artéria que o deixa frágil e propenso ao rompimento pela pressão sanguínea. Ao romper, o quadro de hemorragia pode levar à morte.
O procedimento endovascular para tratamento de aneurismas é todo videocirúrgico e a anestesia mais branda. Ao invés de uma abertura toráxica ou abdominal, como na cirurgia convencional, são feitas apenas duas pequenas incisões na altura da virilha do paciente. Por meio de catéteres, o cirurgião leva endopróteses pela artéria até o local da lesão para reconstruir a parte do vaso danificada.
Com a colocação e ajustamento da prótese, o sangue passa a fluir pelo novo vaso, levando à redução do aneurisma e normalização da pressão na região, evitando o risco de rompimento. O período pós-cirúrgico também é mais confortável para o paciente, que se recupera em um tempo menor e retoma suas atividades normais rapidamente.
“O procedimento é minimamente invasivo. As endopróteses desenvolvidas hoje são mais delicadas, mais fáceis de serem colocadas com precisão e muito mais seguras”, afirma Simi, que há mais de dez anos se prepara para esse tipo de procedimento. Segundo ele, a técnica endocirúrgica existe há quase 20 anos mas só com o avanço tecnológico na produção das próteses tem se tornado rotineira, isso porque há necessidade de extrema precisão na colocação e fixação.
Mas se são necessárias uma habilidade cirúrgica treinada à exaustão e próteses com altíssima tecnologia, o suporte de equipamentos e estrutura hospitalar também é imprescindível para o sucesso de cirurgias endovasculares. No caso do paciente operado no último sábado em Bauru, o procedimento vinha sendo avaliado desde outubro do ano passado.
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Desafio cirúrgico
Se há vantagens enquanto técnica para o paciente que, por exemplo, fica apenas 48 horas hospitalizado, ao invés de quatro dias em UTI e pelo menos mais dois de internação do procedimento convencional, a técnica endocirúrgica exige do médico uma sensibilidade diferenciada e muito treinamento.
“É preciso uma outra visão do procedimento, uma vez que se opera por vídeo, e muito treino técnico para dominar as ferramentas que são outras daquelas da técnica clássica”, explica Francisco Simi, que desde a década de 1990 participa de congressos e cursos na área.
O treinamento do médico vascular inclui curso de técnica cirúrgica no Hospital Sírio Libanês, de cirurgia experimental na Santa Casa de São Paulo e no Hospital das Clínicas e também atuação no Hospital Santa Helena, do sistema Unimed. Estar preparado para eventuais intercorrências durante o processo cirúrgico também é muito importante, destaca o médico.
O custo das endopróteses também ainda é elevado, embora a indústria nacional já produza material de qualidade tão excepcional quanto o importando com custo reduzido em até 50%.
Além disso, a produção nacional de próteses tem a vantagem de permitir o acompanhamento do caso com maior proximidade. De acordo com Simi, as endopróteses têm indicação sob medida, sendo customizadas em alguns casos, pois o diâmetro e extensão podem variar de caso a caso.