A arrastada trama referente à ponte Ayrton Senna, que liga a região do Mary Dota ao Distrito Industrial e está interditada desde o início de 2003 por problemas na estrutura, ganhou recentemente mais um personagem. Desta vez, a protagonista é a burocracia. Mas como qualquer vilã, ela também tem “fãs”.
O casal Edivaldo Luiz da Costa e Marta Pereira da Silva Costa, por exemplo, tem faturado enquanto a administração municipal questiona os relatórios encaminhados pela Empresa de Pesquisas Tecnológicas (EPT) - contratada pela prefeitura de Bauru para realizar estudos sobre a estrutura da ponte.
A empresa não teria anexado um memorial completo de cálculos aos laudos enviados à Secretaria Municipal de Obras, informa a prefeitura. “Para a gente, está até ajudando (a burocracia). Estamos há cerca de duas semanas aqui e temos vendido bem. Nos arrependemos de não virmos antes. Queremos levantar dinheiro para pagar um CD evangélico gravado por ela”, comenta Luiz, ao se referir à esposa.
Eles lançaram mão de uma estrutura mínima, sobre uma bicicleta, para vender cocada, pé-de-moleque e amendoim, entre outros doces. Seus clientes são pedestres, ciclistas e motociclistas que utilizam a ponte de madeira instalada sob a de concreto. “Um dia essa ponte sai e aí teremos de mudar de ponto”, prevê Luiz, que não pretende arriscar sua vida no trânsito, quando o tráfego estiver liberado.
Jurídico
Mas o sinal verde ainda levará tempo. Por enquanto, depende de consenso entre a EPT e a Secretaria de Obras. Para engenheira Elaine de Cassia Orti de Araújo, funcionária de carreira da pasta, é possível que na próxima segunda-feira o impasse seja resolvido. Caso contrário, não está descartada a possibilidade do problema ser encaminhado ao Departamento Jurídico.
Se a situação for confirmada, o jurídico também terá de requerer à empresa todo o memorial de cálculo que fundamentou o laudo apresentado entre o final de janeiro e o início de fevereiro. Sem os números, os técnicos da Obras não conseguem analisar as propostas feitas pela EPT - como a impermeabilização da ponte. A avaliação é importante para evitar que a administração incorra em outras falhas, como as que provocaram a interdição da ponte em 2003, explica Elaine.
A ausência de cálculos apontada levou a EPT ser notificada. No início de março, a empresa teria apresentado outro relatório, ainda sem a complementação de todos os dados exigidos. “O que nós sabíamos que era necessário e poderia ser adiantado, nós fizemos, como o tratamento das fissuras de concreto”, comenta Elaine.
No dia 7 deste mês, acrescenta ela, outro laudo foi enviado, mas voltou também sem os dados completos. “Se todos os cuidados tivessem sido tomados, a ponte não teria apresentado nenhum tipo de problema (e não teria sido interditada)”, conclui a engenheira.
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Contrato
A EPT informou à reportagem ter atendido todas as exigências relativas ao termo de contratação de serviço assinado com a Prefeitura de Bauru. Esclareceu ainda que, se existir qualquer outra divergência, ela está fora do escopo do contrato.
De acordo com a empresa, também não é possível falar em descumprimento contratual porque todos os relatórios foram encaminhados e os serviços estão em andamento, próximos da conclusão. A ETP não descarta, no entanto, que alguns prazos possam ter sido extrapolados, mas garante que, se aconteceu, não foi por negligência.