10 de julho de 2026
Internacional

Aliados de Berlusconi rejeitam fraude

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Roma - Sem aceitar a apertadíssima derrota para o bloco de centro-esquerda nas eleições legislativas italianas de domingo e segunda, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi sofreu ontem dois arranhões em sua intransigência. No plano interno, dois de seus aliados disseram não haver evidência da “fraude generalizada” que ele a denunciou, anteontem.

“Recontagens sempre existiram, mas não creio que elas venham a mudar o resultado”, disse Lorenzo Casa, líder da UDC, dos católicos de centro-direita. Ignacio La Russa, da Aliança Nacional, também se distanciou das acusações de fraude. “Não ouvi falar delas”, afirmou. Disse que ocorreram irregularidades, “como em qualquer eleição italiana”.

No plano internacional, a chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, telefonaram para Romano Prodi, cumprimentando-o por sua vitória e tratando-o já como o novo chefe de governo. Assessores de Prodi informaram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também ligou. França, Espanha e Argentina já haviam feito o mesmo.

Agora, entre os maiores parceiros da Itália, só os EUA - dos quais Berlusconi é parceiro na ocupação do Iraque- se mantêm em silêncio, como se o quadro eleitoral pudesse ser revertido pela recontagem.

Há duas recontagens em andamento. A primeira se refere às 43 mil cédulas para deputado em que o “x” do eleitor não aparecia junto ao logotipo do partido político. A operação, coordenada por magistrados, terminará amanhã. A segunda é a recontagem de 39 mil cédulas para o Senado. Alguns resultados regionais foram bastante estreitos - um deles por 0,8 ponto percentual, na região de Nápoles. Mas, até ontem à noite, nenhuma cadeira havia mudado de lado. Essas duas recontagens se dão em cédulas que, em razão de dúvidas, não haviam sido computadas no resultado final. O que Berlusconi desejava - recontagem de 60 mil urnas e verificação de uma suposta fraude de 1,1 milhão de votos - só poderia ser feito com a autorização do presidente Carlo Ciampi. Mas informantes da Presidência disseram ontem que Ciampi não aceitou o argumento da “fraude generalizada”. Por isso, uma operação de revisão de maior porte só poderá ser determinada pelo novo Parlamento. Onde o bloco de centro-esquerda, majoritário, não tem nenhum interesse em fazê-la.