09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Magazines exploram empréstimos

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Financiadoras e agências bancárias não são as únicas opções para quem tem necessidade e urgência na aquisição de empréstimos pessoais. As grandes lojas de departamento, além de comercializar roupas, eletroeletrônicos e eletrodomésticos, também estão oferecendo esses serviços.

Apesar de ser novidade para muita gente, esses estabelecimentos disponibilizam crédito já há alguns anos. Em algumas lojas, os empréstimos não são exclusivos para os clientes.

A procura é grande, segundo informam os próprios estabelecimentos, principalmente pela facilidade e rapidez na liberação do dinheiro. A maioria dos clientes, inclusive, opta pelo valor máximo que pode ser emprestado e também pelo teto de parcelas para o pagamento. Nesse caso, o débito pode ser dividido em até 12 vezes.

Entretanto, os juros dessas linhas de crédito são bem mais altos que os praticados pelas financiadoras ou bancos. Em média, giram em torno de 8% a 12%, enquanto nos bancos a média é de 4% a 5%.

Mesmo com a queda de 0,75 ponto percentual da taxa Selic ocorrida em março, reduzindo-a ao patamar de 16,5%, as financiadoras e instituições bancárias não repassaram o benefício às transações financeiras de empréstimos.

Em Bauru existem três lojas de departamento que oferecem crédito. Numa delas, o empréstimo só é liberado para clientes que já quitaram, no mínimo, três compras no estabelecimento e àqueles que têm crédito a partir de R$ 80,00 no cartão específico da loja. O cliente pode emprestar entre R$ 200,00 e R$ 1.500,00, com juros que variam entre 8,40% e 10,40%. O valor pode ser parcelado em até 12 vezes, porém, a mensalidade pode comprometer até 35% da renda de quem faz a operação.

De acordo com Andréia Moreira, coordenadora de produtos financeiros da loja, mensalmente é disponibilizada uma média de 240 créditos, sendo a maior parte com valores entre R$ 470,00 e R$ 500,00. A procura por esses empréstimos cresce a cada mês neste estabelecimento. Em janeiro foram 214 operações, em fevereiro 250 e, no mês passado, 273.

“Quando começamos, não imaginávamos que o interesse das pessoas seria tamanho. É um setor que está crescendo muito, principalmente entre os aposentados e pequenos empresários”, destaca Moreira.

Se o cliente não apresentar nenhuma restrição durante os procedimentos estabelecidos pela empresa e na checagem de sua situação junto ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e Serasa, o dinheiro é liberado no mesmo dia.

Os mesmos requisitos para o empréstimo são levados em consideração por outra rede instalada em Bauru que também oferece o serviço. Entretanto, quem não é cliente também pode adquirir o crédito nesta empresa.

O valor é estipulado de acordo com a renda mensal da pessoa. Segundo Juliana Danelon, analista de crédito da empresa, são feitos cerca de 400 empréstimos pessoais ao mês com valor médio de R$ 500,00. “O cliente opta por sacar o valor máximo que é autorizado. Os aposentados são os que mais aderem ao nosso crédito”, comenta.

A outra rede de magazines da cidade que oferece crédito aos clientes libera cerca de 30 empréstimos por dia, também com valores aproximados de R$ 500,00. A taxa de juros estipulada oscila entre 8,9% e 12%. Os tomadores do crédito podem emprestar a partir de R$ 150,00.

‘Inviável’

A economista Salete Rossini Lara orienta as pessoas a evitar ao máximo o empréstimo de dinheiro em instituições financeiras ou nas lojas de departamento por considerar abusivo os juros aplicados sobre os créditos.

A única vantagem apontada por ela é a facilidade na aquisição do dinheiro, principalmente para quem tem dificuldades de obter o empréstimo nas agências bancárias, que exigem, por exemplo, que a pessoa tenha corrente na instituição. Ao contrário disso, muitas lojas de magazine nem restringem a concessão de crédito aos clientes, mas em compensação, aplicam juros mais altos.

“Quem não tem condições de pegar dinheiro no banco e precisa de empréstimo, se vê refém desse tipo de financiamento. Mas é bom lembrar que uma taxa de juros que varia entre 8% e 12% é altíssima. A pessoa poderá pagar até três vezes o valor do crédito adquirido”, alerta.