07 de julho de 2026
Geral

Tradição

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 1 min

O costume de malhar o Judas teria sido trazido ao País e toda América Latina pelos portugueses e espanhóis. Mas a tradição também está incorporada aos costumes dos povos de quase todo o mundo. Folcloristas pesquisadores do assunto avaliam que a queima do Judas parece se relacionar ao rito pagão do Fogo Novo, herdado dos hebreus, sobrevivendo entre os povos civilizados.

Cada lugar incorporou a queima de Judas de uma forma. Na Suíça, o Judas era morto com fuzil, queimado, havendo o costume de quebrar louças sobre ele, enquanto em Portugal era submetido a julgamento, depois enforcado e queimado, o que provocava estouros de bombinhas colocadas dentro do boneco.

Há países em que a queima do Judas representa um repúdio às forças do mal e, por isso, o ato é praticado no início ou no fim das colheitas, para espantar os demônios que esterilizam as plantações.

No Brasil, por sua vez, sabe-se sobre a malhação de Judas desde o século XVIII, quando, no Rio de Janeiro, os bonecos traziam fogos de artifício presos no ventre, que eram acesos no Sábado de Aleluia, e ardiam sob os aplausos frenéticos do povo, como uma vingança à morte de Jesus. As primeiras descrições desse evento no Brasil foram feitas pelo gravurista Jean Baptiste Debret. De acordo com ele, o Judas era confeccionado com roupa e tecido de palha, com máscara e boné de lã que lhe formava a cabeça.