10 de julho de 2026
Geral

Missa inaugura nova fase do ‘Lauro’

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Os tons pastéis e os vitrais do espaço ecumênico inaugurado na semana passada no Instituto Lauro de Souza Lima em nada lembram o martírio vivido pelos pacientes, um dia já internados compulsoriamente no local. Os 73 anos completados na quinta-feira passada não são os únicos responsáveis pela distância entre as realidades.

A força da ciência também ajuda a deixar para trás o estigma imposto às vítimas de hanseníase - muitas delas marcadas ainda pelo então Asilo-Colônia Aymorés. “Só através do reconhecimento da ciência e do direito do paciente é que ele (o estigma) vem sendo banido”, reitera o diretor técnico do hospital, Marcos Virmond.

Na opinião dele, a inauguração do espaço também simboliza a nova fase da instituição, que estabeleceu uma relação próxima com a comunidade científica e com a sociedade. Tanto que a área inaugurada, próxima à geriatria, saiu do papel com a ajuda da comunidade e dos médicos.

“Nós trabalhamos com doações. É uma área para atividades de lazer e momentos de reflexão, independentemente da orientação religiosa. Dá uma sensação de tranqüilidade”, comenta Virmond. Concorda com ele o paciente Alício Ambrósio, que mora no hospital há cinco anos. Católico, ele participou da missa inaugural do espaço.

Igreja

No entanto, Ambrósio não esconde a preferência por uma capela tradicional. O “Lauro” conta com uma igreja dentro de suas dependências, porém ela está interditada há mais de 20 anos. “É a segunda arquitetura sacra mais bonita de Bauru. Está em processo de restauração há quatro anos, mas é lento (por causa da falta de recursos)”, informa o diretor técnico.

Diante da situação, Virmond decidiu concretizar a idéia de criar um espaço ecumênico. Tomou a iniciativa a partir da demanda apresentada pelos próprios usuários, que ainda lutam para demolir completamente o “peso” da hanseníase. Conhecida anteriormente como lepra, ela é uma doença crônica, causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Se não for diagnosticada na fase inicial, pode causar deformidades ou mesmo amputação de membros.

No entanto, tem cura. Depois de confirmar o diagnóstico, o paciente é submetido a um tratamento com remédios (poliquimioterapia), que são distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

História

O Instituto Lauro de Souza Lima foi criado em 1933 como Asilo-Colônia Aymores, época em que portadores de hanseníase eram excluídos do convívio social. Internadas compulsoriamente, 1.400 pessoas chegaram a morar no asilo-colônia, na década de 40.

A área ganhou feição de cidade, embora mantivesse o clima de leprosário. Segregados, pacientes permaneciam na colônia onde recebiam tratamento médico e trabalhavam.

A área dispunha de igreja, cinema, cassino, quadras esportivas, quiosques, praças, fábricas de colchões e de refrigerante, local reservado para atividades agropecuárias e até cadeia.

Em 1949, o asilo foi transformado em sanatório.

Vinte anos depois, passou a se chamar Hospital Aimorés de Bauru. Em 1974, recebeu o nome de um dos grandes hansenologistas do Brasil e tornou-se o Hospital Lauro de Souza Lima. Atualmente é considerado um centro de referência em pesquisas dermatológicas.