09 de julho de 2026
Regional

Morte de 15 animais em casa coloca Araraquara em alerta

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Araraquara - A morte de quatro cachorros, três gatos, um ganso, três patos, três galinhas e um galo em menos de duas semanas em uma casa assustou moradores do bairro Santa Júlia, em Araraquara. O motivo: medo da gripe aviária.

O Escritório de Defesa Agropecuária (EDA) de Araraquara, no entanto, descartou a possibilidade de se tratar do primeiro registro da doença no País. Descartou também que seja uma doença que exija ações de isolamento do local, que fica na periferia. As mortes aconteceram na casa de uma catadora de material reciclável.

A dona de casa Maria Aparecida Lopes Souza, 56, que é vizinha da catadora, reclamou da falta de atenção dos órgãos competentes. “Eu tenho dois cachorros e não estou deixando eles saírem de casa de medo. Quando começaram a morrer os animais, chamamos a prefeitura, mas ninguém fez nada.”

Segundo a prefeitura, a morte de aves é competência da Secretaria Estadual de Agricultura. Funcionários do EDA estiveram no local e um veterinário coletou material para elaborar um laudo técnico.

Sem alarme

Segundo o diretor do EDA de Araraquara, Paulo Roberto Pastori, a população não precisa se preocupar. “Vamos aguardar o laudo, mas não é nenhuma doença grave. Não existe nenhum sintoma de gripe aviária nas mortes. Até onde eu sei, os animais ficavam no fundo de uma casa e o pessoal acaba descuidando da estrutura e da higiene”, afirmou.

Para o médico infectologista da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, Roberto Martinez, o fato de envolver várias espécies de mamíferos e aves é indício de que não seja uma doença única.

“É importante coletar o material, mas a vizinhança não precisa se alarmar num primeiro momento. O fato de ter acontecido tudo no mesmo local envolvendo várias espécies pode estar relacionado a uma infecção alimentar.”

Quem também está preocupado com a gripe aviária é a cidade vizinha São Carlos, que é um dos pólos avícola do Estado. Para prevenir a doença, a prefeitura, empresários e instituições como a USP e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) criaram no mês passado uma câmara técnica para prevenir a gripe aviária.

“Não temos ainda nenhum registro, mas os especialistas apontam que é apenas uma questão de tempo. Uma das maiores preocupações é em relação à passagem das aves migratórias”, afirmou Paulo Mancini, coordenador-adjunto do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema).