10 de julho de 2026
Política

Grevistas obtêm apoio para negociar

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

A sessão da Câmara Municipal de Bauru de ontem à tarde foi marcada pela mobilização dos grevistas contra o projeto de lei do Executivo que oferece reposição de 5,03% mais abono de R$ 50,00 e incorporação de R$ 50,00. No final da movimentação que lotou a galeria, os grevistas bateram boca com o vereador Arildo Lima Júnior (PP), mas conseguiram o apoio dos parlamentares para que estes intercedam junto ao prefeito Tuga Angerami (PDT) em favor da retomada das negociações.

Os grevistas tomaram as galerias da Câmara para pressionar os vereadores a não aprovar o projeto de lei que concede reajuste à categoria nos termos propostos pela administração. Na última quarta-feira, o prefeito Tuga Angerami (PDT) decidiu encerrar as negociações com o Sindicato dos Servidores Municipais de Bauru (Sinserm) e baixar decreto concedendo o reajuste de 5,03% com as vantagens indiretas anunciadas.

Aproveitando o “clima” de lotação na galeria, diversos vereadores subiram à tribuna para pregar apoio por melhores salários, embora o próprio Legislativo tenha mantido a mesma proposta de reajuste defendida pelo prefeito.

O ambiente pró-greve seria a tônica da reunião não fosse o discurso do vereador Lima Júnior (PP). Ele afirmou que o reajuste concedido pelo prefeito estava no limite do que a administração pode conceder e defendeu o retorno ao trabalho dos grevistas. Lima afirmou ainda que os funcionários municipais estavam servindo de “massa de manobra” para interesses políticos.

O discurso provocou reações imediatas. Como o regimento interno da Casa não permite manifestações verbais de quem acompanha a sessão, os funcionários deram as costas ao plenário, em sinal de protesto contra as palavras do vereador.

A atitude dos grevistas só serviu para acirrar ainda mais os ânimos. O vereador Lima Júnior se exaltou e classificou a atitude dos servidores como desrespeito, não à sua pessoa, mas à Câmara Municipal. “Isso é falta de respeito a quem representa toda a população de Bauru”, disse.

Enquanto deixavam o plenário, ainda em sinal de reação, alguns servidores bateram boca com o vereador João Parreira (PSDB), que deu apoio a Lima Júnior. A situação só não chegou ao extremo porque Parreira foi afastado por Antônio Faria Neto (PDT), enquanto membros do sindicato retiravam um servidor mais “eufórico” do plenário.

Apesar do clima tenso, a maioria dos vereadores, inclusive da base governista, defendeu a retomada das negociações entre a prefeitura e o sindicato. “A prefeitura não tem condições de arcar com um aumento maior, mas acho que o prefeito deve voltar à mesa de negociações e mostrar a situação aos servidores”, disse o líder do prefeito na Câmara, Antônio Faria Neto (PDT).

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Interferência positiva

No final, os servidores conseguiram o apoio que queriam para tentar a retomada das conversas com a prefeitura. Em reunião entre os vereadores e a diretoria do Sinserm ficou acertado que o Legislativo vai interceder junto ao prefeito Tuga Angerami, para que as negociações prossigam.

Para o advogado do Sinserm, Sandro Fernandes, a “interferência” da Câmara será positiva. “Os vereadores entenderam as reivindicações dos servidores, e nós esperamos que o prefeito entenda que a proposta de reajuste é injusta”, disse.