09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Fé não é religião e confissão não purga os pecados


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Fui batizado e crismado na Igreja de Santa Terezinha, pelo padre Pedro Paulo Koop. Nessa época a igreja católica era forte, viva sempre aberta, a audiência era grande; aos domingos o adro transbordava de fiéis, que acorriam às missas – em latim - do padre. Paulo ou do padre Luis. Religião em Bauru era formada basicamente por três grupos:- nós, católicos dominantes, os protestantes tradicionais, discretos e sem tantas correntes como hoje, e uma forte comunidade espírita kardecista, ecumênica pela origem de seus seguidores. Em menor número e mais fechados, o Ten-Ri-Kyo, além de um enorme templo mórmon sendo erigido quase esquina da Duque com a Gustavo Maciel. Não existiam ainda a ‘television-church’, expressão americana para as seitas que fazem dessa mídia seu principal instrumento de pregação, e muito menos a desmedida e inaceitável cobrança de dízimos e contribuições financeiras.

Bem, “pelas orillas del camiño” afastei-me das igrejas e de outras buscas que iniciei, preferindo acreditar em algo, não sei o que nem onde encontrar, muito maior que qualquer instituição formal e sem necessidade de ritual para seguir, genuflexório para rezar ou de boleto para pagar, bastando apenas um canto para refletir. Esse canto pode ser no meio da Praça da Sé ou andando de metrô, no meio da torcida do Corinthians, até mesmo dentro da igreja que estiver no meu caminho ou, como faço quando sinto curiosidade, neste microcomputador que ora estou utilizando.

Navegando sem destino e sem compromisso de horário, abro o Alcorão, a Torá, o Tao Te Ching, Buda, o Livro do Mórmon, Kardec, a Bíblias, os livros apócrifos e os ateus absolutos que negam com paixão e esgrimem com precisão seus argumentos nesse sentido. Dessa mistura toda sempre tem algo válido, sem necessidade de esperar a agenda e disponibilidade de alguém que com certeza é tão imperfeito como qualquer um de nós e, talvez, possua pecados até mais graves.

Fernando Marchini