Tel Aviv - Nove pessoas foram mortas e mais de 60 ficaram feridas em um atentado suicida cometido ontem em um restaurante popular de Tel Aviv. Foi a primeira ação desse tipo em território israelense desde a vitória do grupo terrorista Hamas, em janeiro.
O atentado de ontem, cometido por um homem-bomba palestino de 18 anos, foi assumido por outro grupo fundamentalista, o Jihad Islâmico. O local da explosão foi a mesma lanchonete escolhida para o último ataque cometido em Israel, em 19 de janeiro, quando só o terrorista morreu. A reação oficial dos palestinos foi um reflexo da profunda divisão que caracteriza seu governo desde a eleição do Hamas.
Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), lamentou o atentado, que foi justificado pelo Hamas. “Nosso povo está em estado de autodefesa e tem todo o direito de usar todos os meios para se defender”, disse o porta-voz do grupo, Sami Abu Zuhri, que classificou o atentado de “um resultado natural dos crimes contínuos de Israel”.
O jornal egípcio oficial Al Gomhuria aplaudiu o atentado em seu editorial. “Não se pode pedir ao povo palestino que levante os braços em rendição, aceite os ataques israelenses e assista a ondas de colonos ocupar sua terra”, diz o jornal, cujo editor é apontado pelo presidente do país.
O governo israelense responsabilizou o Hamas pelo atentado, e o premiê em exercício, Ehud Olmert, disse que Israel saberá responder “da forma necessária”.
“Continuaremos a recorrer a todos os meios disponíveis para evitar novos ataques”, disse Olmert em uma reunião de seu partido, o Kadima, que está formando o novo gabinete israelense após vencer as eleições de 28 de março.
Segundo Olmert, o atentado pode ter sido planejado para coincidir com a posse do novo Parlamento de Israel, ocorrida ontem. O atentado também foi condenado pelos governos da Rússia e dos Estados Unidos e pela União Européia.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pediu ao governo palestino que assumisse “uma posição pública” contra o terrorismo. O governo americano alertou para as graves consequências que o Hamas pode sofrer.
“A defesa ou o patrocínio de atentados terroristas por autoridades do gabinete palestino terão o mais grave efeito nas relações entre a ANP e todos os países que buscam a paz no Oriente Médio”, disse o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan.
Identificado pela família como Sami Salim Hamad, morador de uma aldeia próxima de Jenin, na Cisjordânia, o terrorista driblou o forte esquema de segurança montado pelas autoridades israelenses para o feriado da Páscoa judaica, que incluiu o fechamento dos territórios palestinos.
Em mensagem gravada em vídeo, Hamad disse que outros palestinos seguirão seus passos. “Nós dizemos ao inimigo criminosos que há mais mártires (terroristas suicidas), se Deus quiser”, diz Hamad.
O ministro da Defesa de Israel, após reunião com o alto escalão de segurança, recomendou ao governo uma série de medidas de retaliação, entre elas o isolamento do norte da Cisjordânia, para impedir a circulação de palestinos entre a região de Jenin e Tulkarem, de onde vinha o suicida, e Nablus e Ramallah, mais ao sul.
Especialistas militares israelenses não acreditam que o Exército venha a lançar uma grande ofensiva contra o Jihad Islâmico, preferindo ações pontuais contra seus líderes.