10 de julho de 2026
Internacional

Exame liga Saddam Hussein a massacre de xiitas nos anos 80

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Bagdá - Um relatório de especialistas em grafologia apresentado ontem em tribunal apontou ser de Saddam Hussein a assinatura encontrada em documentos ligados ao massacre de xiitas no vilarejo de Dujail, nos anos 80.

Advogados que defendem o ex-presidente contestaram o resultado. Segundo o relatório, um dos documentos com a assinatura de Saddam aprovava o pagamento de recompensas a agentes de inteligência envolvidos na ofensiva.

Outro documento, com a assinatura de Barzan Ibrahim al Tikrit - irmão de Saddam e chefe de inteligência do regime -, listava as famílias de Dujail cujas terras deveriam ser devastadas em retaliação contra uma suposta tentativa de assassinato do ex-ditador.

Os especialistas disseram que Saddam e seu irmão se recusaram a fornecer exemplos de caligrafia para comparação e que, por isso, suas assinaturas foram comparadas com outros documentos não relacionados ao caso.

Em uma audiência anterior, Saddam havia se negado a confirmar ou a negar sua assinatura nos papéis, e alguns dos sete outros réus afirmaram que suas supostas assinaturas haviam sido forjadas. Eles são acusados pela morte de 148 xiitas e, se condenados, podem receber pena de morte. “Minha assinatura é muito simples, qualquer um pode imitá-la”, disse Barzan.

“Contestamos todos os detalhes do relatório”, disse o chefe da defesa de Saddam, Khalil al Dulaimi. Khamis al Obaidi, outro advogado de Saddam, pediu que fosse realizado um novo exame por cinco especialistas internacionais independentes - desde que não sejam do Irã. “E de Israel”, interrompeu Saddam.

Segundo Al Obaidi, o relatório foi preparado por funcionários públicos “que estão sempre sujeitos à vontade do governo”. “Eles não podem ser independentes se têm ligações com o ministério do Interior e com o Estado”, acrescentou. Após a leitura do relatório, a sessão foi suspensa até hoje.

Em Tikrit, terra natal de Saddam, cerca de 60 estudantes protestaram contra o julgamento do ex-ditador, cantando “defendemos Saddam com nosso sangue e nossa alma”.

Ontem cerca de 50 insurgentes realizaram um ataque contra forças iraquianas em Bagdá, dando início a uma batalha que durou sete horas, com o reforço de tropas americanas. O ataque ocorreu no bairro predominantemente árabe-sunita de Adhamiya.

Segundo um porta-voz do Exército dos EUA, cinco insurgentes e um membro das forças de segurança iraquianas foram mortos. O irmão de um importante líder sunita, que havia sido seqüestrado há três semanas foi encontrado morto ontem.

Teme-se que a morte, a segunda do tipo em meio a um intenso impasse sobre a formação do governo iraquiano, possa ampliar as tensões sectárias entre árabes sunitas e xiitas. Também foram encontrados os corpos de outras 12 pessoas em diferentes áreas da capital iraquiana, de acordo com o Ministério do Interior.