Irã - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou que seu país vem pesquisando e testando centrífugas de nova geração, para o enriquecimento mais rápido e em maior quantidade de urânio. O anúncio, feito em discurso na quinta-feira a um grupo de estudantes, foi anteontem relatado por reportagem do “New York Times”.
Ela afirmam que, se verdadeira, a utilização de centrífugas de tipo P-2 comprova que o Irã mantém um programa nuclear paralelo para a provável produção de urânio altamente enriquecido, matéria-prima para a bomba. Mas há também a possibilidade de, preocupado em manter o clima de patriotismo, o controvertido presidente ter superdimensionado suas revelações.
De qualquer modo, o assunto será objeto de argüição na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que hoje receberá em sua sede, em Viena, uma delegação de diplomatas iranianos. Também hoje chegam a Moscou representantes dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Reino Unido, França e China, além da Rússia), que procurarão se concertar quanto a possíveis sanções ao Irã em razão de seu programa nuclear.
O porta-voz da diplomacia russa, Andrei Krivtsov, disse que seu país insiste em dar ao conflito uma solução negociada. Com isso, afirma indiretamente que vetaria qualquer resolução que autorizasse uma iniciativa militar em território iraniano.
O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, disse ontem que, se verdadeira, a revelação do presidente Ahmadinejad dará margem a “sérias preocupações” e provará que aquele país “mais uma vez violou suas obrigações” internacionais. Estaria também inutilizado o argumento iraniano de que seu programa nuclear quer apenas produzir eletricidade.
Os serviços americanos de inteligência suspeitavam que o Irã obteve o desenho para a construção dessas centrífugas a partir de meados dos anos 80, no mercado negro comandado pelo engenheiro paquistanês Abdul Qadeer Kahn, o “pai da bomba atômica” de seu país. As centrífugas P-2 estão sendo pesquisadas fora das instalações nucleares de Natanz, que chegaram a ser abertas a inspetores da AIEA.
O Irã relatou àquela agência que chegou a pesquisar sobre as centrífugas P-2 entre 2002 e 2003, mas que desde então se concentrou em máquinas mais simples, as P-1. “Sabemos que eles tinham os desenhos dessas novas centrífugas porque eles próprios divulgaram esse fato. Mas não sabíamos que estavam empenhados em produzir esses aparelhos. Isso significa uma mudança importante”, disse Gary Sick, professor da Universidade Columbia e ex-membro do Conselho de Segurança americano.