11 de julho de 2026
Internacional

Três ministros bolivianos viram reféns por 12 horas; Evo reage

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

La Paz - Três ministros bolivianos que haviam sido tomados como reféns na noite de ontem por moradores da cidade de Puerto Suárez, na fronteira com o Brasil, foram libertados ontem por policiais após 12 horas de seqüestro. Em visita a Assunção (Paraguai), o presidente Evo Morales reagiu: “Imaginem que provocação essa de seqüestrar três ministros. Mas não tenho medo deles”.

Os ministros Carlos Villegas (Planejamento), Celinda Sosa (Desenvolvimento Econômico) e Walter Villarroel (Mineração) foram retidos como medida de pressão para que o governo do presidente Evo Morales autorize o funcionamento da siderúrgica brasileira EBX na região. Também em protesto, empresários, trabalhadores e políticos bolivianos fecharam ontem com pedras, galhos de árvores e carros a fronteira do Brasil com o Paraguai, em Arroyo Concepción, cidade vizinha a Corumbá (MS).

As manifestações atingiram ainda as localidades de El Carmen e Quijarro. Até a tarde de ontem, toda a região estava bloqueada e paralisada, por tempo indeterminado. Não foram registrados episódios de violência. “Não é que eles (ministros) foram seqüestrados”, disse Edgar Hurtado Orellana, presidente do Comitê Cívico de Quijarro, que participa das manifestações.

A EBX deveria ativar neste mês um de seus quatro fornos de fundição em Quijarro. Em Puerto Suárez, pretende atuar na exploração das jazidas de ferro e de manganês de El Mutún, cujo processo de licitação foi paralisado por Morales. A proibição do funcionamento da siderúrgica foi comunicada oficialmente na terça-feira da semana passada.

A alegação é que a empresa começou a construção dos fornos há nove meses ilegalmente, sem licença ambiental. Além disso, o governo afirma que a Constituição boliviana proíbe instalações de propriedade estrangeira a 50 km da fronteira. Apesar dos protestos, a posição oficial foi mantida.

“O governo não vai lidar com empresas ilegais”, disse o vice-ministro de Coordenação, Héctor Arce, após a libertação dos reféns. “É decisão do presidente Morales acabar com essa velha prática das empresas transnacionais de primeiro se instalar e depois legalizar sua situação”, acrescentou. “Isso é um capricho político do governo”, reagiu Hurtado. “Só dá oportunidade a quem compartilha seus ideais sectários.”

A população teme uma onda de demissões na região. A EBX emprega cerca de 900 pessoas. O diretor de operação da empresa, Dalton Rosé, afirmou que ela atua legalmente no país e conta com licença ambiental concedida ao parque industrial de Quijarro.

Tal licença permitiria a instalação da siderúrgica. Segundo a EBX, são investidos US$ 155 milhões no projeto, sendo US$ 30 milhões na parte ambiental. A meta é produzir 800 mil toneladas de ferro gusa por ano.