11 de julho de 2026
Nacional

Senador ganha apoio para criar uma CPI que investigará contas de Lula

Folhapress
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Brasília - Com sete assinaturas a mais do que o necessário, o senador Almeida Lima (PMDB-SE) protocolou ontem na Mesa do Senado um requerimento para criar a “CPI do Lula”, que investigaria o pagamento de contas do presidente da República e de pessoas próximas a ele pelo presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, além de denúncias contra familiares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Apesar de ter assinado o documento, a oposição não ficou satisfeita com o pedido de criação de uma nova CPI que, por falta de apoio, dificilmente funcionará. A alegação é que ela tiraria força da CPI dos Bingos, que já tenta investigar esses temas, e coincidiria com o calendário eleitoral, quando os parlamentares já estariam engajados nas campanhas.

Para não depender da oposição, os governistas estudam recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) alegando que a CPI é inconstitucional por não ter um fato determinado. “Essa CPI é uma lista de supermercado”, afirmou a líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC).

“Esse requerimento é um bicho de sete cabeças. Os fatos não têm conexão entre si”, disse o senador Tião Viana (PT-AC). Okamotto assumiu a responsabilidade pelo pagamento de uma dívida de R$ 29,4 mil de Lula com o PT, mas não indicou à CPI dos Bingos as datas e os valores dos saques que teria feito para quitar esse débito. A suspeita da oposição é que esse dinheiro tenha saído do “valerioduto” - esquema montado pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares com o publicitário Marcos Valério de Souza e que foi abastecido, segundo a Procuradoria Geral da República, com recursos públicos.

O requerimento de criação da “CPI do Lula” lista ao todo cinco itens a serem investigados. Entre eles estão: o aporte de R$ 10 milhões feito pela Telemar na empresa Gamecorp, da qual Fábio Luiz, filho do presidente Lula, é sócio; a suposta prática de tráfico de influência por Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do presidente; a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, que fez acusações contra o então ministro Antônio Palocci (Fazenda); e a origem do dinheiro transportado na cueca pelo petista José Adalberto Vieira da Silva, assessor do deputado estadual José Nobre Guimarães (PT-CE).

O requerimento possui 34 assinaturas. Da base aliada, só os peemedebistas Mão Santa (PI), Ramez Tebet (MS), Pedro Simon (RS) e Almeida Lima assinaram.