09 de julho de 2026
Nacional

Promotoria abre apuração sobre Dirceu e assessor do presidente

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - A Promotoria Criminal de Santo André (SP) abriu ontem uma investigação contra o deputado federal cassado e ex-ministro José Dirceu (PT) e contra o chefe-de-gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, por supostos crimes de formação de quadrilha, receptação e lavagem de dinheiro. O objetivo do Ministério Público é investigar a acusação feita por João Francisco e Bruno, irmãos do prefeito de Santo André assassinado em 2002, Celso Daniel (PT).

Após o crime, eles disseram que Carvalho, chefe-de-gabinete de Daniel, teria narrado um esquema de propina na prefeitura. “Gilberto disse que chegou a levar o dinheiro da propina pessoalmente para Dirceu (então presidente do PT), no escritório político em São Paulo”, disse João Francisco à Promotoria. Procurado pela reportagem, Carvalho disse que não vai se manifestar sobre o caso.

Em 2002, o Ministério Público havia pedido a abertura de uma investigação contra Dirceu. Como ele era deputado à época e, por isso, tinha foro privilegiado, qualquer procedimento dependia da autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).

O pedido foi rejeitado e arquivado pelo então presidente do órgão, Nelson Jobim -que se afastou o tribunal. Longe da Câmara, Dirceu não tem mais foro privilegiado. A Promotoria irá investigar ainda a origem dos R$ 500 mil pagos pelo PT ao ex-procurador-geral da República Aristides Junqueira, contratado pelo partido para defender a sigla durante as investigações do caso Celso Daniel.

A soma das penas mínimas dos três crimes imputados pelo Ministério Público é de seis anos de prisão. Como os investigados não residem em São Paulo, foram enviados convites para que prestem depoimento na Promotoria, em Santo André. Dirceu foi convidado a depor no dia 4 de maio. Carvalho, no dia 8.

Serão convidados a depor, na condição de testemunhas, o ex-procurador-geral, o presidente estadual do PT em São Paulo, Paulo Frateschi, a assessora especial de Lula e ex-mulher de Daniel, Mirian Belquior, o deputado cassado Roberto Jefferson (autor das denúncias contra Dirceu), o publicitário Marcos Valério e o doleiro preso Antonio Clamarunt, o Toninho da Barcelona.

Esta será a terceira investigação a tramitar na Promotoria de Santo André envolvendo diretamente o PT. Na primeira, promotores investigam a suposta coleta de propina na prefeitura da cidade, que serviria ao financiamento de campanhas eleitorais do PT. Na segunda, o objeto é o assassinato de Daniel - para o Ministério Público, o crime está relacionado à corrupção.

Testemunha

Ontem, a Justiça ouviu a décima testemunha de acusação contra o empresário Sérgio Gomes da Silva, acusado de ser o mandante da morte de Daniel. A vendedora L.L., 31 anos, relatou em juízo que, no momento em que Daniel foi seqüestrado, na noite de 18 de janeiro de 2002, ela passou de carro no local e viu o empresário do lado de fora do carro, numa situação supostamente tranqüila, falando ao celular.

Dentro do carro, disse ter visto um homem de cabelos grisalhos, sentado no lado do passageiro, com a cabeça encostada no vidro, que, segundo ela, parecia desacordado. Para a Promotoria, a cena prova que Gomes da Silva era cúmplice dos criminosos.