09 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de pescador: Pescaria de serpentes


| Tempo de leitura: 3 min

Todo pescador deveria ter um mínimo de conhecimento sobre os perigos que envolvem uma pescaria. Quanto maiores a intrepidez e o destemor que possam fazer parte de sua personalidade, maior o perigo e a incidência de ocorrências graves que podem prejudicar ou acabar de vez com sua pescaria. O cuidado começa ao arrumar a “traia”, manuseando facas afiadas, anzóis e outros pertences. Uma vez no rio, dentro do barco, o uso do colete salva-vidas é indispensável. Ao apoitar o barco junto às margens ribeirinhas, procurando sempre uma generosa sombra que é oferecida por uma frondosa árvore, há que se observar com atenção o local.

A pequena distância entre o barco e a margem e a proximidade dos galhos que se debruçam sobre o rio, podem oferecer perigo iminente: - COBRA!! Já imaginou uma “cascavel” deslizando mansamente pela terra e adentrando ao barco com aquela língua bipartida entrando e saindo da boca, procurando por você ? Ou quem sabe uma cinza-esverdeada “caninana” despencando da árvore e enrolando-se toda em seu pescoço? Gritou socorro!!!? Pulou na água? Nada disso vai adiantar, meu caro pescador. O certo é ter em mãos o “Kit Antiofídico Fora Cobra”! Fazem parte do “Kit”, os seguintes itens: 1) uma “batuta de maestro” (aquela madeira fina que é usada para reger orquestras); 2) uma casca de árvore bem comprida e um véu feito de filó, aquele transparente que parece uma rede de pesca, bem fino; 3) uma capa do antigo LP (vinil) com a foto da famosa e saudosa dupla caipira “Jararaca e Ratinho” (lembram?); 4) uma pequena cadeira de balanço; 5) uma foto da Juliana Paes, em toda a sua exuberante nudez.

De posse deste material, é também preciso conhecer a cobra, o que não quer dizer que você seja “amigo dela”, e sim, que você saiba qual é a sua espécie (a da cobra). Vamos lá. Se for uma “coral”, encante-a com a “ batuta”, regendo os seus movimentos. Ela cantará o tempo todo e não atacará. Sabendo cantar, faça um “dueto” com ela - será maravilhoso. Se for uma “cascavel” (2), pegue a casca da árvore e a enrole com o véu. Aos olhos da cobra, parecerá ser mais uma de sua espécie (“casca-véu”) e ela, ao contrário dos homens, respeita seus semelhantes e não lhe fará mal algum. Agora, se for uma temível “jararaca” (3), coloque na sua cara (na da cobra) a foto da dupla caipira. Ela também reconhecerá o seu semelhante “jararaca” (de chapéu de palha) e irá embora, não antes de comer o “Ratinho”, que é seu alimento preferido. Desta você escapou por pouco! De repente, eis que chega uma assustadora “Naja” (4). Calmamente, coloque a cadeira de balanço pertinho dela. Como a “Naja” anda sempre com a metade do corpo e a cabeça em pé, estará ela exausta e se aconchegará na cadeira, podendo até pegar no sono! Mais uma que você conseguiu enganar, já ganhando a fama de “cobra” no mundo das serpentes.

A próxima “cobra” (5) poderá ser uma “sucuri”, ou uma “píton”, ou uma “anaconda”, ou uma “jibóia” ou ainda uma “boa”, cujo nome englobava, antigamente, todas as espécies citadas. Aí, será fácil demais. Mostre a foto da estonteante Juliana Paes para ela e as duas ficarão no maior papo, pois “boa” com “boa” se entendem. Pode agora relaxar, pois o próximo ofídio a aparecer é uma “cobra-cega” e ela não vai ver você de jeito nenhum! Bem, depois dessa, só tomando uma dose de soro antiofídico com gelo! Saúde !!!

Fernando Lucilha Júnior é pescador e contador de histórias.