09 de julho de 2026
Geral

Secretarias adequam serviços para manter atendimento na greve

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

A greve dos servidores municipais chega ao seu 17.º dia hoje com 400 trabalhadores paralisados. Ao todo, seis secretarias estão operando com déficit de funcionários. A da Educação continua com o maior número de servidores em greve: 217 funcionários e professores. A Saúde vem em seguida, com 101 de acordo com boletim divulgado pela assessoria da prefeitura. Além delas, as secretarias da Administração, do Meio Ambiente (Semma), das Administrações Regionais (Sear) e do Planejamento (Seplan) também precisam readequar o quadro para não prejudicar o atendimento.

Nelson Fio, titular da Sear, garante que a secretaria está conseguindo manter o atendimento normalizado, remanejando alguns funcionários entre as regionais. Ao todo, 21 empregados aderiram à paralisação. “A regional mais prejudicada foi a do Redentor, com dez funcionários parados”, calcula Fio. Para terminar o serviço de capinação na avenida Engenheiro Luiz Edmundo Carrijo Coube, que ficou pendente por conta da greve, o secretário teve de desfalcar outras regionais. “Tiramos gente da Bela Vista e do Centro para finalizar a limpeza do lugar”, conta.

Na Educação, nenhuma Escola de Ensino Fundamental (Emef) fechou as portas em decorrência da greve. “Apenas na Emef Santa Maria estamos com dois professores paralisados, o restante está trabalhando normalmente”, diz Rosângela Redondo Ribeiro, diretora de divisão do ensino fundamental da secretaria.

Para contornar a situação, as aulas na escola estão sendo adiantadas e quando a situação for normalizada, a reposição do conteúdo será negociada. “As duas disciplinas deverão ser repostas no recesso de julho, provavelmente”, observa. “No geral, está dando para manejar. O trabalho não está sendo muito prejudicado”, avalia Ribeiro.

Situação diferente do que acontece no ensino infantil, onde 103 professores aderiram ao movimento grevista. A Escola Municipal de Educação Infantil Integrada (Emeii) Félix Aparecido Costa está fechada a situação complica a vida dos pais que dependem da unidade onde os filhos permanecem o dia inteiro. Outras unidades que estão totalmente paralisadas são as Escolas de Educação Infantil (Emei) Chapeuzinho Vermelho e Etelvina de Araújo. A diretora de divisão de ensino infanil Márcia Zwicker Di Flora calcula que o setor mais prejudicado foi o da Vila Falcão, que possui em torno de 35 professores paralisados. Ele engloba a Vila Independência, Vila Nova Esperança, Santa Edwirges, Vila Dutra, Jardim Ouro Verde e redondezas.

Já na Secretaria Municipal de Obras, o setor que tem sofrido problemas com a greve é o de construções. Os serviços de manutenção das escolas e creches e a reforma do antigo Hospital do Paiva estão sendo mantidos normalmente, mas de acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, a ausência dos 34 funcionários que aderiram à greve tem prejudicado a fábrica de pré-moldados, que não está operando com capacidade máxima.

Já na secretaria de Meio Ambiente (Semma), que está operando sem 16 funcionários, as atividades estão sendo mantidas com horas extras. Carlos Barbieri, titular da Semma, explica que nenhum técnico aderiu à greve, apenas ajudantes gerais paralisaram o trabalho. “Muitos estão trabalhando mais e recebendo horas extras. E para pagar esse adicional, vou ter que tirar dinheiro de outros programas da Semma. No final, a prejudicada vai ser a população”, avalia o secretário.

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Saúde

A secretaria que mais tem sofrido com a greve dos servidores é a da Saúde. Com a adesão dos médicos das unidades da rede básica, o atendimento, que já era crítico, ficou mais debilitado. Mário Ramos, que ocupa interinamente a direção da pasta, aponta que algumas demandas que deixaram de ser atendidas na greve, dificilmente serão regularizadas.

“A imunização contra o rotavirus, por exemplo. Se a criança passou da faixa etária limite durante a greve, não pode mais ser vacinada quando o atendimento for normalizado”, explica Ramos. Para manter o atendimento, a secretaria está remanejando funcionários. “A pasta possui servidores fantásticos que estão se desdobrando para atender à população”, observa o diretor.

O núcleos do Gasparini e do Santa Edwirges foram os mais prejudicados na avaliação de Ramos. “Além disso, estamos com sete unidades sem condição de aplicar vacinas, por conta da falta de funcionários”, informa Ramos. Eliana Martins, diretora do Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm), ressalta que é direito de todos os funcionários participar da greve. “A gente gostaria que ao invés de pagar hora extra, a prefeitura resolvesse o impasse. Assim, todos voltariam ao trabalho” afirma.