O ex-prefeito da cidade de Bariri Domingos Antonio Fortunato Neto e o diretor de Finanças de sua administração, Luiz Antonio Morales, foram condenados pela Justiça. Neto foi condenado a 42 anos de reclusão, enquanto o diretor a sete em regime semi-aberto, por ter sido conivente com a situação. A decisão comporta recurso e tanto o Ministério Público como o advogado do ex-prefeito pretendem recorrer.
O ex-prefeito é acusado de desviar dinheiro público para sua conta particular, de pessoas próximas a ele e outras empresas, no seu último ano de mandato, 1992. A denúncia foi feita pelos vereadores da oposição da época e a Justiça apurou que 18 cheques da prefeitura emitidos para pagamento de fretamento de ônibus e peruas, da empresa Auto Ônibus Silva Ltda, foram desviados.
O promotor Luciano Gomes de Queiroz Coutinho, autor da denúncia, explicou que ficou provado que os cheques que saiam da prefeitura para pagamento de falsos serviços de transportes eram depositados na conta particular do acusado.
Coutinho frisa que os serviços não eram prestados. “Não tem nota fiscal, empenho ou qualquer documento que comprove a efetiva prestação de serviços.”
A quantia desviada só será calculada após o processo transitar em julgado. “Na época a moeda era outra e somente após transitar em julgado é que o perito fará os cálculos”, explicou.
Para o promotor, a sentença não foi satisfatória, assim como para o acusado. “Eu já recorri pedindo que a pena seja aumentada. Ele foi condenado por 18 crimes individuais porque foram 18 pagamentos. Para cada um deles a condenação foi de dois anos e quatro meses, num total de 42 anos.”
Coutinho pretende aumentar a pena de cada crime para sete anos. “Os crimes são graves porque envolvem dinheiro público. Por isso, quero que a pena seja de sete anos para cada um dos crimes, que vão totalizar 126 anos. Para o ex-diretor, a sugestão é de 21 anos.”
Nunca mais foi eleito
O ex-prefeito Domingos Antonio Fortunato Neto, após a denúncia em 92, já tentou ser reeleito, mas apesar da disputa nunca mais conseguiu.
O advogado dele, Evandro Demétrio, disse ontem que vai recorrer da sentença, mas que não pretende revelar as alegações que fará no recurso. Fortunato não foi encontrado para falar sobre o assunto.