09 de julho de 2026
Nacional

Gil Rugai deixa prisão após dois anos

Por André Camarante e Gilmar Penteado | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O estudante Gil Rugai, acusado de matar o pai, Luiz Rugai, e a madrasta, Alessandra Troitino, em março de 2004, deixou a cadeia ontem à noite, depois de dois anos preso. Sem barba, de camisa branca, ao lado da mãe e de advogados, ele saiu do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, sem falar com os repórteres.

Gil Rugai foi solto por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou que a prisão preventiva - até o julgamento -, decretada em 2004, não poderia se prolongar por tanto tempo. Ainda não foi marcada a data do julgamento do estudante, que nega o crime e aponta falhas na investigação.

A saída de Rugai da prisão teve um tratamento diferenciado pela direção do presídio, segundo a própria Secretaria da Administração Penitenciária. O advogado do estudante, Fernando José da Costa, teve permissão para entrar com seu veículo na área de segurança da unidade, o que é vetado para presos comuns.

O estudante entrou no carro, que saiu em alta velocidade, evitando o acesso dos repórteres. Cinco minutos antes, três presos também recém-libertos deixaram a unidade a pé, pela porta da frente.

Segundo a secretaria, o advogado teve autorização para entrar na área de segurança do CDP para “proteger o preso do sensacionalismo de parte da imprensa”. Antes de retirar seu cliente do presídio, o advogado disse que o estudante foi orientado a não falar sobre o caso. “Se o Tribunal de Justiça decidir pelo júri popular, é lá que ele vai falar, é lá que ele vai comprovar a sua inocência.”

A defesa do estudante entrou com um recurso contra a “sentença de pronúncia” (que confirma o júri popular). Com isso, o processo criminal está paralisado e não há como marcar a data do julgamento. O advogado disse que ainda vai tentar anular o processo. “Há dois anos, o Gil Rugai foi considerado culpado pelo Ministério Público (MP) e pelas autoridades policiais quando nem 5% das testemunhas tinham sido ouvidas e nenhuma das dezenas de perícias havia sido concluída.”

Risco

A promotora Mildred Gonzales, que atua na acusação de Gil Rugai, afirmou anteontem que a liberdade do estudante coloca em risco a vida do principal testemunha do caso. O vigia de rua Domingos Ramos Oliveira Andrade, que afirmou à polícia ter visto o estudante sair da casa do pai logo após os disparos, está no Programa de Proteção a Vítimas e a Testemunhas Ameaçadas (Provita) desde o crime, ocorrido em 2004.

“É a inversão dos valores. Mais vale a liberdade de um bandido do que a liberdade de uma testemunha que contribuiu com a Justiça”, afirmou Mildred. Dias depois do crime, a guarita na qual o vigia trabalhava e de onde ele afirma ter visto Gil Rugai foi incendiada. Palavras de ameaça também foram escritas em um muro.

A partir daí, o vigia, a mulher e três filhos filhos foram incluídos no Provita, sistema rígido que prevê a saída da testemunha de sua cidade e até do Estado e oferece ajuda de custo quando ela voltar ao convívio social. “A alta corte (o STF) está distante da criminalidade que assola o País”, afirmou a promotora. Ela afirma que agora o MP ficou com as “mãos atadas”.