10 de julho de 2026
Nacional

Taxa de juros cai para 15,75% ao ano

Por Ana Paula Ribeiro | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O Banco Central (BC) reduziu ontem a taxa de juros da economia brasileira, que voltou ao patamar de cinco anos atrás. O Comitê de Política Monetária (Copom) determinou o corte de 0,75 ponto percentual na taxa básica, para 15,75% ao ano, a mesma da reunião de março de 2001. Como na maior parte das reuniões do Copom, a decisão já era esperada pelos analistas do mercado financeiro. Esse foi o sétimo corte consecutivo e o terceiro dessa magnitude.

O primeiro corte, promovido em setembro do ano passado, foi de 0,25 ponto percentual. Os quatro seguintes foram de meio ponto. Neste ano, na reunião de janeiro, o Copom aumentou o corte para 0,75 ponto percentual e o mesmo aconteceu no encontro de março. Isso ocorreu porque as reuniões do colegiado deixaram de ser mensais e passaram a ocorrer a cada 45 dias, em média.

Com a decisão de ontem, a taxa de juros já caiu quatro pontos percentuais desde o início do processo de corte. O corte de apenas 0,75 ponto percentual pode ser considerado conservador por analistas, já que a trajetória de inflação caminha para a meta, que é 4,5% medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - com uma margem de tolerância de dois pontos para cima ou para baixo. No último levantamento feito pela autoridade monetária, o mercado financeiro esperava uma inflação de 4,43%.

A mudança no comando do Ministério da Fazenda pode ter pesado para essa decisão mais conservadora. Antônio Palocci foi demitido no dia 27 de março e foi substituído por Guido Mantega, que quando era presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) criticava a condução da política monetária. No entanto, de acordo com os dados mais recentes dos indicadores econômicos, não há sinais de que a inflação possa fugir do controle.

Em março, o IPCA foi de 0,43%, contra 0,41% no mês anterior. Além disso, o índice que mede a utilização da capacidade instalada foi de 80,9%, contra 80,6% de janeiro. Esse indicador mostra que a indústria tem capacidade de aumentar a produção no curto prazo sem causar inflação.

Durante o processo de aumento das taxas de juros, que durou nove meses e terminou em maio do ano passado, o temor do BC era que a recuperação econômica - o crescimento do PIB foi de 4,9% em 2004 - pudesse provocar um reajuste nos preços por parte da indústria, o que traria inflação. Essa pressão pode ser maior se a indústria não for capaz de atender toda a demanda. O Copom divulga na quinta-feira da próxima semana a ata da reunião ocorrida anteontem e ontem.

Consumidor

O efeito dessa redução para o consumidor será pequeno, já que a diferença entre a taxa Selic e a taxa cobrada das pessoas físicas é muito grande. Segundo cálculos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), a taxa média das operações de crédito ao consumidor passará de 7,54% ao mês para 7,49% ao mês, ou de 139,24% ao ano para 137,91% ao ano.

Para Miguel José Ribeiro de Oliveira, economista da Anefac, a queda pode ser maior em alguns bancos, porque eles têm mais “gordura” para queimar. A entidade ressalta ainda que o corte, embora pequeno, produz um efeito indireto, que é a menor rentabilidade dos títulos públicos.

Como a maior parte deles é remunerada pela taxa Selic, os bancos buscarão outras aplicações com a redução dos juros, destinando mais recursos para as operações de crédito. Com mais dinheiro disponível, a tendência é que a taxa média de juros caia.