Uma das condições indispensáveis e obrigatórias ao exercício da cidadania é o nosso voto.
A palavra voto origina-se do latim voluntas = vontade. O voto é a forma legal de escolher quem nos representará politicamente.
A escolha de cada eleitor precisa ser livre e cidadã. Para isso, é necessário basear o voto em convicções e em argumentos. Não basta votar por qualquer motivo. É preciso que cada eleitor tenha bons motivos para votar.
Trata-se de escolher candidatos que efetivamente demonstrem respeito à cidadania e compromisso com a implementação de políticas públicas que venham para atender às necessidades da população.
As qualidades dos políticos que devem ser eleitos tem que fazer parte de uma prática cotidiana, continuada, verificada não apenas quando esse cidadão se tornou candidato. O interesse pelo exercício de serviços em benefício da comunidade deve existir muito antes de qualquer filiação partidária ou campanha em busca de votos. Honestidade é muito mais que uma qualidade a ser procurada em candidatos a cargos eletivos, é um princípio de vida.
É preciso que cada eleitor se pergunte qual o candidato que em primeiro lugar se mostra mais digno do seu voto. Pois a democracia começa pela ética.
Um candidato não faz campanha somente em seu município, mas sim, em todo o estado, e é quase impossível que milhares ou milhões de eleitores saibam quem ele é de verdade, e o que pretende. As pessoas acabam votando em alguém por causa da campanha eleitoral, ou pelo que vêem nas revistas, jornais, TV.
É mais ou menos como quando compramos um produto pela embalagem e descobrimos que fomos enganados. Nesse caso, podemos ir ao Procon para reclamar, ou simplesmente jogá-lo fora e comprar um de outra marca.
Mas quando votamos influenciados pela propaganda, estamos comprando idéias com as quais concordamos. Se formos enganados, não podemos jogar fora o produto e assim, resta-nos aceitar o produto do nosso voto pelos quatro anos...
A corrupção eleitoral continua solta. Quanto mais aumenta a miséria, mais os pobres são explorados na hora de votar, vendendo seu voto por pequenos favores. Se todos percebessem que é hora de mudar, a mudança deveria começar pela maneira como desta vez vamos votar: dando um chega pra lá a todos que querem comprar nosso voto e nossa dignidade de cidadãos.
É muito importante termos conhecimento da própria pessoa do candidato e saber se as ações desenvolvidas por ele o credenciam para o exercício do cargo pleiteado, saber também se ele é somente uma pessoa de prestígio ou já demonstrou possuir capacidade administrativa para o exercício do cargo pretendido, saber quais os valores que defende, se é alguém de convicções firmes ou muda ao sabor das conveniências, se pode comprovar sua honestidade e integridade ou seus negócios estão repletos de sombras, se suas propostas são viáveis ou são promessas vazias, se a quantidade das propostas é compatível com o volume de recursos e o tempo disponível para sua execução, e ainda se respondem à ordem das prioridades e urgências de interesse da maioria ou são em benefício de grupos minoritários, prevalecendo um conglomerado de interesses regionalizados.
Um ditado de Maquiavel que diz “a realidade é como é, não como gostaríamos que ela fosse” resume muito bem a importância da pesquisa que devemos fazer da vida dos candidatos.
E é para já que somos chamados a assumir este momento eleitoral com seriedade e responsabilidade de votar e votar bem, com pleno discernimento de que exercer o sufrágio universal não restringe-se apenas a nós e nossos familiares, mas sim em prol do bem comum e de uma sociedade mais digna e mais justa para todos.
Priscila Medina Pitta - assistente social