08 de julho de 2026
Geral

IPMet quer instalar radar no litoral

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

O Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) de Bauru, que mantém dois radares meteorológicos - um em Bauru e outro em Presidente Prudente-, agora quer instalar equipamentos no litoral brasileiro. A proposta foi enviada à Secretaria Especial da Agricultura e Pesca nesta semana, que estuda sua viabilização.

Os equipamentos seriam instalados no litoral da costa brasileira, a cerca de 200 metros do mar. Com alcance de 200 quilômetros de distância, os radares terão capacidade de mapear as correntes oceânicas e as condições das águas marítimas. Essas informações favoreceriam, por exemplo, a escolha das rotas para a navegação costeira, a pesca no mar, a identificação de maré vermelha (algas nocivas) e de manchas de óleo na água.

Roberto Vicente Calheiros, diretor do IPMet em Bauru, ressalta que a proposta é fixar os aparelhos em praias do litoral do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, incluindo os extremos do Atlântico, São Pedro e São Paulo, e as ilhas de Trindade e Fernando de Noronha.

“O projeto, na verdade, foi apresentado há três anos, quando consistia numa rede de apenas três radares. Ela ia cobrir uma porção significativa do litoral paulista. Hoje, com a ampliação, o programa terá custo de R$ 7 milhões, com dois anos de operação”, destaca Calheiros. Ainda de acordo com ele, cada equipamento é avaliado em US$ 150 mil.

O radar oceânico, segundo o diretor do IPMet, foi desenvolvido durante a 2ª Guerra Mundial. Na época, o Reino Unido usou o aparelho para prever os ataques aéreos dos alemães. Atualmente, as antenas estão menores, seu alcance maior e o preço mais acessível. Nos Estados Unidos estão sendo instaladas 200 unidades ao longo de toda a costa do país, principalmente para previsão de fenômenos naturais.

“Hoje, é possível colocar uma bóia com transmissor e receptor no limite do alcance de 200 quilômetros do radar para aumentar sua área de cobertura em até 350 mil metros. Essa bóia custaria em torno de 30% sobre o valor do radar”, comenta Calheiros.

O equipamento também está sendo desenvolvido com novas tecnologias para adquirir a capacidade de monitoramento de embarcações. O objetivo é prepará-lo para detectar barcos sem autorização para atracar em determinados pontos do mar. O aparelho, conforme Calheiros, facilitaria a fiscalização da Marinha, que hoje recorre a satélites e aviões. O custo também seria menor.

Atualmente, o IPMet de Bauru mantém um radar no câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que fica no município, e outro em Presidente Prudente.

Unifesp

Na próxima terça-feira, Roberto Calheiros, diretor do IPMet em Bauru, se reúne na capital paulista com o reitor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ulysses Fagundes Neto, para discutir a parceria da instituição com a Universidade Estadual Paulista (Unesp). O objetivo é oferecer o controle operacional do IPMet, que abrange a operação e manutenção de radar e a elaboração dos laudos meteorológicos.

Calheiros explica que hoje o IPMet encontra-se numa situação crítica de manutenção. Dos sete meteorologistas de seu quadro, dispensou três por contenção de gastos. Os laudos meteorológicos, que antes eram entregues em dois dias, agora são disponibilizados em quatro. Segundo ele, esses serviços exigem ao ano, investimentos na ordem de R$ 2 milhões. Até agora, garantiu Calheiros, nenhum serviço foi paralisado no IPMet.

“Conseguimos parceria do CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), que está suprindo algumas lacunas na parte de previsão do tempo, mas, a parte do radar é específica nossa. Precisamos de uma equipe de meteorologistas aqui (em Bauru)”, explica. “Como a Unifesp criou o Instituto de Ciência do Mar e Meio Ambiente na Baixada Santista, aproveitamos seu projeto de expansão para consultá-la sobre o interesse de também ter uma parceria com o IPMet de Bauru. O reitor se manifestou favorável a discutir o assunto. Esperamos que consigamos fechar essa parceria”, completa Calheiros.