Quando viaturas do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), do Corpo de Bombeiros (Cobom) e da Polícia Militar (PM) saem às ruas para prestar um atendimento à população, precisam chegar o mais rápido possível ao local da ocorrência. A rapidez, nestes casos, pode significar o salvamento de vida. Por lei, viaturas da polícia, bombeiros e Samu têm prioridade para trafegar na pista esquerdada via, mas muitos motoristas não respeitam a legislação.
A muitos condutores falta informação de como proceder para dar passagem a viaturas, o que os leva a cometer infração de trânsito. A maioria das infrações, no entanto, não é registrada em boletim de ocorrência – já que nem sempre resulta em colisões – , mas o problema acontece diariamente, segundo o coordenador do Samu, Kasuo Sawao Filho.
Pelo menos uma vez no trajeto de cada ocorrência atendida pelos médicos um motorista desrespeita as viaturas. O artigo 29 do Código de Trânsito Brasileiro prevê que viaturas da polícia, bombeiros e Samu têm prioridade para trafegar na via esquerda e o artigo 189 estabelece, que o motorista deve dar passagem aos veículos devidamente sinalizados para atender casos de urgência.
Os motoristas que impedirem o trânsito das viaturas podem receber multa no valor de R$ 194,00 e perder sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O sargento Aparecido Bento, da Base de Trânsito, lembra-se de um atropelamento ocorrido anteontem. “Um policial estava na rua sinalizando para que os carros não passassem pela via, mas um motociclista desrespeitou a ordem”, relata.
“Quando houver acidente, o motorista precisa reduzir a velocidade e obedecer o policial”, completa. Multa de R$ 127,00 pode ser aplicada ao motorista que seguir viaturas sinalizadas em atendimento de urgência. “São comuns aqueles que seguem as ambulâncias na tentativa de driblar o trânsito”, conta Bento.
O coordenador do Samu ressalta que os pedestres também precisam respeitar as viaturas. “Já tivemos atendimento no Calçadão nos quais as pessoas curiosas atrapalharam o trabalho dos médicos”, conta.
A médica Eliane Fetter Nunes lembra-se de pelo menos dois casos de desrespeito às leis de trânsito na época que era secretária de Saúde, na gestão de Nilson Costa. “Uma mulher grávida estava em trabalho de parto quando um motorista colidiu na ambulância. Ela desesperou-se e o filho acabou nascendo dentro da ambulância mesmo”, relata.
Em outra situação, um paciente acabou sofrendo enfarte dentro da ambulância, após colisão com uma moto. “As pessoas que atrasam os atendimentos das ambulâncias deveriam ser processadas. Elas têm que parar para pensar que podem prejudicar uma vida”, opina.