Entre as homenagens que recebeu em Bauru, Marcos Pontes conversou com a imprensa e falou sobre seu futuro, a prioridade que dá para a educação, as emoções que sentiu no espaço, como é ver a Terra do alto. A seguir alguns trechos mais emocionantes das falas de Marcos Pontes em sua passagem pela cidade.
Depois de alcançar o espaço, o que mais pode querer o astronauta brasileiro? Muitas coisas, porém nada definido ainda.
“Tenho uma bagagem técnica e de relações internacionais muito boa, mas ainda não foi definido qual será meu destino a partir de agora. Meu interesse é continuar servindo o Brasil da melhor maneira possível”.
Há especulações de que Marcos Pontes poderia seguir uma carreira política. Ele não chega a rejeitar a idéia, mas afirma que se perceber que esta é a melhor maneira de, a partir de agora, servir o País, terá que se preparar para a novo desafio. “Eu sou assim, em tudo que eu faço tenho que me preparar, estudar, conhecer aquilo a que me proponho fazer, tenho que planejar. Isto para fazer um trabalho bem feito e não ser mais um”, afirma.
Pontes já está com os olhos voltados para outras missões, não necessariamente espaciais. A Educação é a sua próxima missão. “A Soyus passou, foi muito importante, mas agora há outras missões”, afirmou. Ele pretende transformar em ações práticas todo o conhecimento que adquiriu.
“Tenho uma vontade muito grande de fazer um trabalho na área de educação, ciências e tecnologia. Para isto é preciso suporte da população, do governo, de infra-estrutura. É preciso planejar, estamos em fase de planejamento. Mas penso em um projeto assim, tenho ao meu lado a Agência Espacial Brasileira, Força Área Brasileira, Ministério de Ciência e Tecnologia. Com certeza deve surgir algum projeto para aplicar todo esse conhecimento aos jovens e crianças. Vamos fazer algo e o resultado vai ser bom”.
Compenetrado em seu trabalho, Pontes nunca chegou a pensar nas experiências que viriam a reboque do seu sucesso na conquista do sonho de ser astronauta. Questionado sobre o fato de ser visto como herói foi direto: “quando comecei meu trabalho, nunca pensei em virar herói”.
Entretanto, diz que aceita a responsabilidade e que esta não o assusta. “Isso não me assusta, toda vez que eu sento numa reunião com a mesa internacional (15 países) e tem uma bandeira brasileira, isso sim, imprime uma grande responsabilidade”.
No foguete
Uma das perguntas freqüentes feitas à Marcos Pontes, pela imprensa e pela população, e que não poderia deixar de ser, era: o que você sentiu, pensou, assim que entrou no foguete? Teve medo?
Sempre com sorriso no rosto, o astronauta bauruense confessa: “Dá medo, mas é um frio na barriga, pela expectativa”, conta. “Eu pensava sentado lá, que tinha um monte de gente olhando para o foguete, rindo, roendo as unhas, na expectativa. E de certo estavam torcendo por nós, com o sentimento de nacionalidade, como eu tantas vezes torci pela seleção brasileira, pelo Ayrton Senna, agora era eu ali, representando o Brasil e as pessoas torcendo”.
Outra pergunta a que, obviamente, o primeiro astronauta brasileiro não escaparia: como é a Terra vista lá do alto? Com a expressão de quem viu algo impossível de descrever, para o qual ainda não existem palavras, Marcos Pontes engasga e relata: “É difícil descrever. Dentro do foguete, no lançamento ficamos numa posição que não dá para se mover. Mas num certo momento da subida, tirei do pulso o espelho que nós usamos para ver se o capacete está bem fechado, coloquei na mão e através dele vi o lado de fora”.
Os olhos do astronauta brilham enquanto relata a experiência inimaginável. “No momento em que vi a curvatura da Terra, vi que há uma luz que parece uma aura. É inacreditável a beleza. A imagem que me veio foi a do planeta azul, planeta mãe, os olhos de minha mãe”.
Depois de ser o primeiro astronauta brasileiro, Marcos Pontes quer mais. Sonha e acredita que será possível, futuramente, uma missão espacial nacional. “Eu quero, sonho e acredito que isto é possível. Vou lutar muito para que isto aconteça. Um sistema nosso de treinamento, lançamento, um foguete nacional”.