Desde quando se descobriu uma parte do programa nuclear do Irã, que as tensões entre os países membros do Conselho de Segurança da ONU, especialmente os Estados unidos têm crescido. Bush disse nesta semana que “todas as opções estão sobre a mesa”, como estratégia de impedir que o Irã continue enriquecendo urânio, podendo, assim, em breve, fazer parte do clube seleto de nações que possuem armas atômicas. O Irã insiste em dizer que seu programa nuclear é para fins pacíficos, e não se atemoriza diante das ameaças das superpotências ocidentais.
O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, não titubeou em afirmar durante as comemorações do Dia do Exército: “Vamos cortar as mãos de quem pensa em agredir a República Islâmica do Irã”. E disse que não irá recuar em seu propósito de retomar as atividades nucleares em seu país, salientando que o Irã “avançará no caminho nuclear com paciência, sabedoria e seguindo as etapas previstas”. Da mesma forma, o líder religioso supremo do Irã, Aiatolá Ali khamenei, ressaltou: “Enfatizamos que a tecnologia nuclear e o ciclo do combustível nuclear é nosso direito absoluto. A nação, eu e outras autoridades não vamos ceder à linguagem de intimidação da América por quaisquer meios”.
Os EUA querem sanções econômicas e diplomáticas, mas não encontram apoio da China nem da Rússia, pois o Irã é um considerável parceiro comercial. Mesmo assim, a crise pode ampliar as proporções, com risco de guerra. Só que desta vez os Estados Unidos estarão diante de um adversário de peso, cujas respostas aos possíveis ataques norte-americanos, poderão ser totalmente imprevisíveis, tendo em vista que o presidente Bush foi categórico em dizer que poderá recorrer ao ataque nuclear.
Será que EUA repetirão o grave erro de ignorar o Conselho de Segurança da ONU para enfrentar a questão iraniana, como fez ao invadir o Iraque? Como sabemos, os assessores de Bush mentiram sobre a situação real do Iraque, pois foi comprovado posteriormente que não havia nenhuma ameaça de produção de armas químicas.
Mas Bush foi teimoso e arrogante, ocupando o país, não poupando a população civil (inclusive crianças) de bombardeios insanos. Quando conseguiu capturar Saddam Hussein exibiu triunfalmente sua cabeça ao mundo, como faziam os antigos imperadores romanos. Mesmo desmoralizado, Bush insistiu com a ocupação do Iraque, que até hoje está envolvido num caos político e social sem perspectivas de solução a curto prazo.
E agora? Que novo capítulo se aproxima desta história sombria? Que desdobramentos poderemos esperar desta nova situação? Como China e Rússia se posicionarão? Os EUA serão capazes do quê em relação ao Irã? Como reagirão o país dos aiatolás com domínio da tecnologia nuclear, caso os EUA resolvam fazer o mesmo que fizeram com o Iraque. Torçamos para que os grandes deste mundo encontrem soluções diplomáticas para esta nova crise. A guerra não beneficiará ninguém, em nenhum aspecto. O mundo quer paz.
O autor, Valmor Bolan, é doutor em sociologia, reitor da Universidade Guarulhos, vice-presidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras e diretor-geral da Faculdade Editora Nacional - e-mail: valmorbolan@faenac.edu.br