Os pneus e rodas vêm de fábrica com medidas adequadas para seu uso normal, levando em conta o peso máximo admissível do veículo, seu motor (portanto, sua capacidade de aceleração e frenagem), a altura livre do solo e outros compromissos inerentes à suspensão, como espaço livre na caixa de rodas, ângulo de esterçamento das rodas dianteiras, estabilidade em curvas, rodagem macia, etc.
Sempre é recomendado substituir-se os pneus gastos por novos da mesma medida original. Mas nada impede que se alterem as medidas, dentro de critérios técnicos, visando ganhos de estabilidade, aderência ou apenas por beleza.
Todo pneu tem medida estampada na lateral que segue normas internacionais. Um com medida 195/65R15 significa que tem uma largura da banda de rodagem de 195 mm; a altura do pneu, ou seja, a distância entre o talão (borda do pneu que fica em contato com a roda) e a banda de rodagem é de 65% da largura do pneu (mais conhecido como série 65, neste caso), ou seja, 65% de 195 mm = 126,75 mm de altura.
Já a letra R significa que é radial e o numeral 15 corresponde ao diâmetro da roda, em polegadas. Isto vale para todo pneu moderno. Ainda temos outras características construtivas do pneu marcadas na lateral, como velocidade e carga máximas admissíveis para aquele modelo.
Conseqüentemente, se mudarmos a roda original de aro 15”, neste exemplo, por uma nova roda com aro 17”, teremos que usar um pneu adequado aro 17” que se mantenha dentro do diâmetro externo original. Isto se faz reduzindo a série do pneu, ficando então com um perfil mais baixo, mas dentro das especificações próprias para aquele carro.
Ainda neste exemplo, temos várias medidas de pneus compatíveis para este veículo, respeitando suas características originais, como 215/50R17 ou 225/45R17. Teremos um aumento significativo da largura do pneu assim como do diâmetro da roda, mas manteremos o diâmetro externo e a altura do solo originais, permanecendo a relação final de transmissão e aferição de velocímetro. O importante sempre é manter o diâmetro externo original pelos motivos acima.
Mas o que causa de bom e de ruim mudar a altura e largura de um pneu? É claro que o conjunto roda/pneu fica mais bonito com diâmetro maior, e isso é bom. A maior largura do pneu proporciona uma maior estabilidade em curvas, mas por aumentar a área de contato com o solo também aumenta o consumo de combustível devido ao maior arrasto.
Da mesma forma, com a série menor do pneu - conseqüentemente uma altura menor -, ele se torna mais firme e inclinará menos em curvas, aumentando a estabilidade e dirigibilidade do veículo. Com isso, a sensação é a de que se está dirigindo sobre trilhos. Em compensação, perde-se muito em conforto, pois fica mais duro e transmite todas as irregularidades do piso ao volante, além de torná-lo mais suscetível a cortes na lateral. Sem contar que um pneu mais largo e de aro maior é bem mais caro do que um original.
É sempre assim, se ganha de um lado e se perde de outro. Aqui vale bem a regrinha do custo-benefício e do que se está disposto a abrir mão em troca do resultado final.
____________________
CORREIO TÉCNICO
Um mecânico me recomendou passar óleo de mamona embaixo do carro para limpá-lo? Isso é correto?
Vitor Almeida, Bauru (SP)
É totalmente desnecessário. Para a limpeza da parte inferior de veículo, basta lavar com água e, eventualmente, com querosene ou xampu. A idéia de pulverizar óleo de mamona por baixo para proteger contra ferrugem e tirar barulhos de borrachas da suspensão é antiga, pois sendo um óleo vegetal, e não mineral, não ataca as mesmas. Mas isto é falso, pois o assoalho já é protegido contra ferrugem por várias camadas de pintura e materiais de proteção contra batidas de pedras, além das borrachas só rangerem quando precisam ser trocadas. É mais prático passar uma camada de grafite em pó nas mesmas para lubrificação e nunca óleo queimado ou qualquer outro óleo mineral, pois atacariam as borrachas. O óleo de mamona, na prática, só serve para grudar poeira e gastar dinheiro, pois na primeira chuva ou lavada ele sai com facilidade.
Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).
*Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em Administração Industrial e Marketing e Engenharia Aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e assina uma coluna na revista Quatro Rodas Nitro. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.