Lençóis Paulista – A Biblioteca Municipal Orígenes Lessa não tem mais um canto que possa abrigar alguma publicação. A falta de espaço está obrigando a bibliotecária Jane Maria Mozaner de Mello a ser mais rigorosa na seleção de livros incorporados ao acervo por doação. Mas nenhuma publicação se perde. Aquilo que não é aproveitado na Orígenes é repassado para a ampliação das bibliotecas das escolas municipais.
A expansão da biblioteca municipal está prevista para julho deste ano, com a inauguração do Espaço Cidade do Livro pela prefeitura. A administração municipal alugou um prédio ao lado da Orígenes, restaurado e onde funcionou um restaurante.
O novo local abrigará o Centro de Documentação Histórica, o acervo de livros e publicações infantis e o Museu Literário. A escolha do mês é uma homenagem ao nascimento e morte do escritor lençoense Orígenes Lessa. Foi ele quem estimulou amigos e escritores a doarem livros para a biblioteca, inaugurada há 43 anos (em 28 de abril de 1963).
Atualmente, o acervo do Museu Literário ocupa todo o segundo pavimento da biblioteca Orígenes Lessa. Conforme a diretora municipal de Educação, Izabel Cristina Campanhari Lorenzetti, a biblioteca municipal passou por uma reforma, em 2001, e informatização do acervo, que hoje está em 27 mil livros catalogados.
Há quatro anos, a cidade recebeu uma doação do Ministério da Cultura (MinC) no valor de R$ 50 mil. Vieram estantes, enciclopédias em CD-ROM e livros. Mello explica que a cada mês recebe cerca de 30 livros doados. Recentemente, a biblioteca acolheu um lote de 50 livros de arte. Um primo de Orígenes Lessa, Zwinglio Lessa, fez outra importante doação.
O segundo andar da Orígenes está repleto de livros, jornais, revistas e documentos. Destaque para as edições da revista “O Cruzeiro”, editada a partir do final da década de 20. Entre os livros raros, se sobressai uma edição de 1936 da obra “Viagem Militar ao Rio Grande do Sul”, escrito em 1865 pelo Conde D’Eu e com prefácio e 19 cartas do príncipe Gastão de Orleans.
Em outro corredor, a edição da Constituição brasileira de 1946 cabe na palma da mão. Segundo Mello, os livros raros receberam proteção, identificação e não foram mais manuseados. Quando o acervo for transferido para o Espaço Cidade do Livro, passará por um processo de higienização, conservação e restauro.
A cada dia aumenta o número de associados da Orígenes Lessa, que hoje somam 5.000. Na semana passada, por exemplo, um grupo de estudantes veio à biblioteca e toda a turma se matriculou. Passam diariamente pela Orígenes cerca de 300 usuários. “Se houvesse mais espaço, a freqüência seria maior”, garante a bibliotecária.
Já a biblioteca ramal Júlio Ferrari atende diariamente de 70 a 80 pessoas. Pela ramal do Cecap passam 150 diariamente, sendo que 50 usuários são crianças. Há três anos, Mello veio do município de São Carlos para assumir a Orígenes Lessa. Ela avalia que há um cuidado especial em Lençóis com as questões culturais. “Seria interessante que cidades maiores dessem o mesmo incentivo à leitura que é dado em Lençóis. Há biblioteca que abre e fica esquecida. Esse não é o nosso caso”, comemora.
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Hospital
Além do projeto de ampliação da Biblioteca Municipal Orígenes Lessa, a cidade está implantando um programa para facilitar a leitura de pacientes internados no hospital local. Para tanto, um móvel especial está sendo desenvolvido para circular entre os quartos.
A biblioteca ambulante possibilitará acesso a jornais, revistas e livros. A bibliotecária Jane Maria Mozaner de Mello ressalta ainda a importância da biblioteca da EE “Virgílio Capuani”, tradicional acervo e que conta com professor para orientar os leitores.