08 de julho de 2026
Internacional

Premiê quer milícias junto ao Exército

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Bagdá - O novo premiê iraquiano, Jawad al Maliki, afirmou ontem, após ser empossado, que as milícias armadas que atuam no país devem se juntar ao Exército. “As armas têm de estar nas mãos do governo’’, disse Maliki em seu primeiro discurso como premiê, contrariando pedido que tem sido feito pelos Estados Unidos para que as milícias sejam desarmadas - o que teria um alto custo político, já que as milícias estão ligadas a diversos partidos, que representam grupos étnico-religiosos em conflito.

O Parlamento escolheu ontem também os dirigentes que ocuparão os cargos principais da nova legislatura, eleita em dezembro de 2005. O caminho para a composição do primeiro governo eleito desde a invasão do Iraque pelos EUA, em 2003, e a subseqüente derrubada da ditadura de Saddam Hussein, foi liberado ontem, com a indicação de Maliki para o posto de premiê.

Maliki foi ratificado no cargo pelo presidente Jalal Talabani e pelos parlamentares iraquianos, que escolheram Talabani para permanecer na presidência do país por mais um mandato. “Eu gostaria de informar aos irmãos e irmãs que nós decidimos unanimemente endossar nosso querido irmão Jawad al Maliki no comando do gabinete’’, comunicou Talabani na sessão de ontem.

Após anunciar que Maliki era oficialmente o novo premiê, o presidente Talabani pediu a ele que compusesse seu ministério. A indicação do xiita Maliki para o posto de primeiro-ministro veio depois que o ex-premiê Ibrahim al Jaafari desistiu de permanecer no cargo.

Árabes sunitas e curdos opunham-se à permanência de Jaafari no comando do Parlamento, e o nome de Maliki foi aceito por eles, após ser indicado pela aliança dos partidos xiitas, majoritária na Casa.

Entre os outros postos que foram definidos ontem no novo governo do Iraque estão o de presidente do Parlamento, que ficou com o árabe sunita Mahmoud al Mashadani, além dos vice-presidentes (no Iraque há dois vices), o árabe sunita Tariq al Hashemi e o árabe xiita Adil Abdul Mahdi.

Os EUA avaliam que o governo de coalizão entre xiitas (população majoritária do Irã), sunitas (que estavam no poder com Saddam Hussein) e curdos é fundamental para que a insurgência seja vencida e a onda de violência controlada no Iraque.

Scott McClellan, porta-voz demissionário da Casa Branca, corroborou essa expectativa, declarando ontem que o governo Bush espera que os últimos acontecimentos políticos no Iraque levem a um significativo progresso. Já o embaixador dos EUA no Iraque, Zalmay Khalilzad, afirmou que o país “não vai melhorar instantaneamente’’.

Violência

A violência prosseguiu ontem no Iraque. Na região Norte do país, duas bombas explodiram em um mercado, matando duas pessoas e ferindo 17 outras. De acordo com a polícia local, a segunda explosão ocorreu quando as equipes de emergência chegavam ao local para assistir os feridos pela primeira explosão.

Mais seis pessoas morreram em Ramadi, no Oeste do Iraque, em um confronto entre insurgentes e soldados iraquianos e americanos. Os mortos em conseqüência do combate, informou a polícia da Província de Diyala, foram dois soldados iraquianos e insurgentes. Ramadi é uma cidade dominada pelos árabes sunitas.