Confusão entre o Sindicato dos Servidores (Sinserm) e a Prefeiturade Bauru tumultuou ontem o Departamento de Apoio Operacional (DAO), na rua Aparecida, Centro. A Polícia Militar (PM) esteve no local para contornar o impasse. O motivo foi uma liminar expedida na noite de anteontem pelo juiz de plantão do Fórum local, André Luís Bicalho, que garantia o abastecimento de veículos da frota da Saúde (ambulâncias, carros da vigilância sanitária, viaturas do resgate, etc).
Representantes do sindicato acusaram a prefeitura de truculência no cumprimento da liminar. Segundo eles, na madrugada de domingo para segunda-feira os lacres das bombas foram rompidos e os carros começaram a ser abastecidos, mas não havia presença do oficial de justiça para notificar o cumprimento da liminar.
“De madrugada, a prefeitura, representada pelo chefe de gabinete (Paulo Sérgio Canalli), esteve aqui (no DAO) por volta da 1h e mediante truculência houve violação do lacre de combustível. Ninguém apresentou a liminar. A polícia, inclusive, estava com um documento na mão, mas não apresentou ao sindicato. A todo momento, insistimos para ver a liminar. O oficial de justiça só chegou às 7h para mostrar a liminar”, diz o advogado do Sinserm, Sandro Fernandes.
A ação da prefeitura foi questionada pelo sindicato. “Os funcionários do DAO responsáveis pelas bombas que abasteceram as viaturas estavam em greve. Vamos pedir investigação em relação a isso”, afirma o advogado. Por conta disso, os sindicalistas elaboraram dois boletins de ocorrência: o primeiro acusando a prefeitura de desvio de função e outro de violação do lacre das bombas de combustível.
Mas o diretor do departamento, Agostinho Cabello Batista, afirma que a utilização da bomba de combustíveis foi supervisionada e ele mesmo ficou responsável pelo controle do abastecimento.
Segundo o advogado do sindicato, a liminar, no entanto, não muda a rotina de viaturas abastecidas durante a greve. “Desde o início do movimento (grevista), o abastecimento das viaturas da saúde está sendo mantido”, argumenta.
Mas, para assegurar o cumprimento da liminar, uma viatura da polícia militar permaneceu no DAO na manhã de ontem. “O fato do oficial de justiça não estar no local no momento do cumprimento da liminar é mera formalidade. O importante é que o abastecimento das viaturas da saúde foi mantida”, afirmou o capitão Valter Luís Sales Gonçalves, da 4.ª Companhia da PM. Ele também disse que integrantes do sindicato foram impedidos de entrar no DAO, a princípio, para evitar tumulto, mas depois um representante acompanhou o abastecimento das viaturas.
Na última quinta-feira, a polícia elaborou boletim de ocorrência tanto por parte do sindicato quanto por parte do governo. Neste caso, o conflito foi gerado em razão de tentativa de bloqueio do abastecimento de veículos da frota oficial.
Os grevistas calculam que mais de 1.000 servidores continuam participando do movimento iniciado no último dia quatro deste mês.