Teerã - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, desdenhou ontem da possibilidade de seu país sofrer sanções das Nações Unidas contra o programa nuclear que desenvolve -afirmando que a maioria dos membros da organização não cometeria “um erro tão grande” - e voltou a defender o fim de Israel, que chamou de “Estado artificial”.
Em entrevista coletiva em Teerã, que teve a rara participação da imprensa estrangeira, Ahmadinejad disse que as possíveis sanções não o assustam.
“Acredito que é muito improvável que eles sejam tão estúpidos para fazer isso”, disse o presidente iraniano, indagado sobre a pressão ocidental para que o país suspenda a produção de combustível nuclear, cujo início foi anunciado por ele há duas semanas, em desafio às determinações da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
“Acho que mesmo os dois ou três países que nos opõem (no Conselho de Segurança) são suficientemente sábios para cometer um erro tão grande. Aqueles que falam em sanções são os que mais sofreriam”, disse Ahmadinejad, que insinuou que o país poderia abandonar a agência da ONU e romper com o Tratado de Não-Proliferação Nuclear. “Nossa política é trabalhar no contexto do TNP e com a agência. Se concluirmos que eles querem prejudicar nossos direitos nesse contexto, nós podemos reconsiderar.”
Ahmadinejad, que provocou comoção mundial no ano passado ao questionar o Holocausto e defender o fim de Israel, voltou anteontem ao tema no mesmo tom. “Nós dizemos que esse regime falso (Israel) não pode logicamente continuar a viver”, disse o presidente iraniano, que repetiu a sugestão de transferir a população israelense para a Europa.
“Nós acreditamos que os judeus, como quaisquer seres humanos, têm o direito de viver felizes, em prosperidade e segurança”, disse. “Permitam que voltem a suas terras natais.”
O ministro da Defesa de Israel, Shaul Mofaz, disse que já é hora de o mundo agir. “De todas as ameaças que enfrentamos, o Irã é a maior. O mundo não pode esperar. Precisa fazer tudo o que for necessário no nível diplomático para interromper sua atividade nuclear”, disse Mofaz, que completou: “Desde Hitler nós nunca enfrentamos tamanha ameaça.”
O embaixador dos EUA na ONU, John Bolton, disse ontem que o Conselho de Segurança da organização irá considerar um projeto de resolução que legalmente exija que o Irã respeite a determinação para que suspenda suas atividades de enriquecimento de urânio.
Segundo Bolton, o Conselho deverá discutir ainda nesta semana as possíveis respostas ao relatório da AIEA sobre as atividades nucleares do Irã. “Supondo que não haverá mudanças por parte do Irã - e não há razão para acharmos que haverá -, contemplaremos uma resolução dentro do Capítulo 7 para tornar obrigatórias todas as resoluções da AIEA existentes”, disse Bolton.
O Capítulo 7 da Carta das Nações Unidas, evocado em caso de ameaças à paz e à segurança internacionais, pode abrir as portas para sanções contra Teerã, inclusive ações militares. O prazo dado pela AIEA para que o Irã suspenda suas atividades nucleares termina na próxima sexta-feira.