O espírito criativo da escritora goiana Cora Coralina foi vivenciado pela maioria dos estudantes e professores da Escola Estadual Padre Antônio Jorge Lima. Num esforço interdisciplinar, os alunos fizeram releituras de textos da escritora sob o olhar da língua portuguesa, da arte, da ciência, da matemática e da história e produziram trabalhos que ficarão expostos até quinta-feira na escola.
As atividades integram o cronograma da Semana Cora Coralina, que tem como objetivo apresentar a obra e a vida da escritora aos alunos, por meio de exposições, palestra e declamações de poesias, e marcar os 21 anos de seu falecimento, ocorrido em 10 de abril de 1985.
“Nossa biblioteca, fundada em 2003, recebeu o seu nome, mas muitos estudantes não a conhecem. Com o evento, pretendemos aproximá-los e mostrar a importância dessa grande poetisa para a nossa história”, coloca a diretora da escola, Hélida Farias.
Durante os dois dias, os convidados poderão conferir na exposição montada na biblioteca um pouco do que foi trabalhado com os alunos em diversas disciplinas. Na ciência e na matemática, os estudantes se aproveitaram de um outro dom da escritora, o de doceira e, com suas receitas, trabalharam a questão das medidas e da reação química.
“Muitos não sabem que antes de ser reconhecida como escritora, ela era uma exímia doceira. Por isso que, fora os trabalhos expostos, os convidados poderão saborear um delicioso doce de abóbora feito com ingredientes doados pelos estudantes”, ressalta Farias.
Os contos e as expressões da escritora foram o foco de atuação da professora de educação artística, Thaís Schnabel. “Com os alunos do ensino médio, estudamos a fisionomia de alguns retratos de Cora e, a partir deles, os estudantes fizeram outras imagens, cada qual com o seu olhar”, explica.
Com os alunos do ensino fundamental, a professora trabalhou sobre alguns contos da escritora. Feita a leitura com a classe, os estudantes desenharam as impressões causadas pelo texto. Uma experiência interessante para o aluno da sexta série Lucas Porangaba da Silva, que não conhecia a obra da autora. “Fiquei com vontade de ler mais livros dela”. Sua colega, Bianca Cristine da Silva, também compartilha da mesma opinião. “Sabia que ela era uma escritora por causa do nome da nossa biblioteca, mas nunca tinha lido nada dela. Achei superlegal”.
Além da exposição, estudantes do ensino fundamental e médio estudaram alguns poemas da escritora e montaram um jogral que será apresentado hoje, às 10h10, e amanhã, às 15h30.
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Passagem por Bauru
O evento ainda contará com a presença da nora da escritora, Nize Bretas, que promoverá um bate-papo com os alunos hoje, às 10h30, e na quinta-feira, às 16h. “Cora Coralina viveu em Bauru com o seu filho, Cantídio Bretas Filho (morto no ano passado), e nora em meados da década de 50”, conta Farias.
Muito do acervo que ficará exposto no evento, como fotos e objetos pessoais, foi cedido por sua nora, que a tem como mãe e exemplo de ser humano. “Ela foi para mim uma segunda mãe e ela me tinha, graças a Deus, como filha. A convivência com Cora foi um privilégio para mim”, disse Nize em entrevista ao JC no ano passado.
Nascida em 1889 na cidade de Goiás, Cora escreveu seus primeiros contos e poemas aos 14 anos de idade. Em 1911, mudou-se para Jaboticabal, interior de São Paulo, para viver com seu marido, Cantídio Tolentino Bretas. Sua primeira obra só foi publicada em 1965, aos 76 anos. “Ela mostrou que a idade não é um impedimento. E, em seus livros, expôs com simplicidade a garra da mulher brasileira”, coloca Farias.
• Serviço
Abertura da Semana Cora Coralina hoje, às 10h, na EE Padre Antônio Jorge Lima (Quadra 2 da rua Orlando Querubin. Bairro Nobujy Nagasawa). O evento vai até quinta-feira e é aberto à comunidade. Mais informações: (14) 3237-3393.