09 de julho de 2026
Nacional

Música cubana do século 20 é tema de especial da Cultura

Por Ronaldo Evangelista | Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Quem poderia dizer que uma pequena ilha socialista caribenha seria capaz de criar uma das maiores revoluções musicais do século 20? Mãe de estilos como danzón, son, mambo e cha cha cha, a ilha de Fidel e sua música são as estrelas deste documentário em duas partes, exibido hoje e amanhã pela TV Cultura, às 20h.

Co-produzido pela própria rede, o programa foi realizado em 1999, mesmo ano da explosão mundial do filme “Buena Vista Social Club”. Não há, portanto, nenhum enfoque especial nas futuras estrelas Compay Segundo, Ibrahim Ferrer, Omara Portuondo, Rubén Gonzales - eles aparecem como comentaristas e personagens ao lado de vários outros músicos e pesquisadores.

O lado bom é que o programa se aprofunda em aspectos da música de Cuba muito pouco comentados: a história, mais ou menos cronológica, começa em séculos passados e vai avançando até chegar a revoluções modernas, explicando didaticamente as criações, fusões e transformações que geram os estilos musicais da ilha, com detalhes biográficos de alguns de seus principais personagens, como Ernesto Lecuona, Bola de Nieve e Rita Montaner.

Alguns dos momentos mais interessantes dão conta da influência da música africana, do encontro com o jazz americano e no desemboque no hoje tradicional jazz latino. É um mergulho profundo, mas com resultado algo confuso. Apesar de partir de assunto fascinante, a série é pobre em sua realização, com gráficos feios, edição precária, imagens sem graça e ritmo lento.

Ao longo da hora de cada um de seus programas, o documentário não sai da superficialidade, não atinge nenhum ponto genial e apenas arranha no lado político, não mostrando mais do que uma Cuba de almanaque. É um começo, mas ainda falta muito.