08 de julho de 2026
Articulistas

Petrolula


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É incrível a capacidade de Lula e do PT tomarem para si as coisas que são do Estado brasileiro ou que foram construídas ao longo de vários governos. Fazem isso com as conquistas na economia, com os indicadores sociais, com os programas sociais e assim por diante. Não é incomum em seus discursos, Lula afirmar que fez coisas que nunca ninguém ousou fazer desde a descoberta do Brasil. Pura ignorância da história de nosso país, além da arrogância e da prepotência de quem se julga muito melhor do que todos os outros e é incapaz de reconhecer-lhes méritos ou reconhecer os avanços propiciados ao País.

Agora é a auto-suficiência do petróleo do país, que Lula julga ser o responsável. Já está, junto com o PT, fazendo propaganda disso. Mais uma farsa, das tantas que temos sido obrigados a ver. Para desfazer mais um mito, apresento os dados da produção de petróleo no país desde que a Petrobras começou a produzi-lo. Os números são claros. Considerando os milhões de barris diários produzidos, portanto em números absolutos, o grande salto na produção de petróleo do país ocorreu entre 1995 e 2002, período do governo Fernando Henrique Cardoso.

Mas não é isso o mais importante. Dois fatos foram fundamentais para o melhor desempenho da empresa e para a obtenção da auto-suficiência do país em petróleo: o primeiro foi a lei de flexibilização do monopólio estatal do petróleo, de 1997, e a mudança na cultura da empresa, que foi profissionalizada e voltou-se mais para a busca de resultados e para a sua internacionalização, medidas muito criticadas pelos petistas na oportunidade, que falavam em privatização do setor. Foram essas mudanças que aumentaram a concorrência potencial no setor e imprimiram um novo ritmo à Petrobras, incentivando alianças estratégicas com grupos privados e que permitiram que ela aumentasse substancialmente a produção e fosse obtendo os resultados que, acumulados, hoje podemos comemorar.

Sem essas mudanças de natureza estrutural, talvez estivéssemos discutindo, no momento, não a auto-suficiência, mas a ocupação política dos cargos da Petrobras por petistas e seus apoiadores, com as conseqüências desastrosas que isso poderia ter trazido, à semelhança do que tem ocorrido em outros espaços do governo Lula. Para aqueles que ainda não entenderam a lógica de algumas privatizações e a conseqüente criação das agências reguladoras, está aí uma parte das respostas. E para aqueles que ainda não entenderam que alguns mecanismos de mercado, incluindo a competição, podem fazer bem para o país, está aí um elemento para reflexão.

O autor, Gabriel Ferrato, é professor do Instituto de Economia da Unicamp, gabrielferrato@eco.unicamp.br