Piratininga - Uma ação judicial determinou que a Prefeitura de Piratininga (13 quilômetros de Bauru) proibisse, através da instalação de placas e faixas amarelas pintadas nas calçadas, que veículos estacionassem após as 23h em algumas ruas dos arredores da Igreja Matriz e Praça Virgem Imaculada. Por ser o principal ponto de encontros dos jovens nos finais de semana, a medida gerou polêmica na cidade.
Um grupo de sete moradores resolveu procurar a Promotoria Pública para solicitar que o poder público tomasse providências e estabelecesse normas para o local.
As razões alegadas pelos moradores seriam o mau uso do local pelos freqüentadores, a falta de fiscalização sobre vendedores ambulantes (que vendem bebidas alcoólicas), o uso de carro equipados com som sem que houvesse o controle do volume e a falta de placas de trânsito e faixas amarelas proibindo o estacionamento, conforme sugestão da Polícia Militar.
O juiz de direito, Luiz Roberto Fink Júnior, concedeu liminar no início deste mês. A pedido do Ministério Público, o juiz solicitou do poder público municipal a colocação de placas de proibição de estacionamento nos locais indicados pela Polícia Militar e a pintura de faixas amarelas nas calçadas, sob pena de multa.
Na semana retrasada, a prefeitura instalou as placas e pintou as faixas amarelas nas calçadas, conforme determinação judicial. Desde então, é proibido estacionar veículos em várias quadras nos arredores da igreja, no período das 23h às 6h.
Lúcia de Carvalho Fabri, 59 anos, moradora do local, explica que não conseguia dormir por causa do barulho e diz que alguns jovens urinavam no chão por não haver no local um banheiro público. “Procuramos a Justiça porque toda noite eu não conseguia dormir. Eles tomavam bebidas e deixavam as garrafas no chão. Não temos banheiros aqui (...) e eles não tinham onde urinar, faziam em qualquer lugar”, comenta.
A dona de casa Gláucia Borro de Matos, 60 anos, concorda com a proibição e reclama do som alto dos carros, apesar de reconhecer que, em algumas situações, a medida acabou prejudicando os motoristas.
“Eles abrem o capô (do carro) e o som é altíssimo. Para mim, (a proibição) foi uma boa. Os meus filhos não gostaram muito porque eles não têm onde deixar o carro à noite”, comenta, ressaltando que conforme o horário do evento na Igreja Matriz (como a missa, às 6h, no domingo de Páscoa), os motoristas não têm onde estacionar os carros.
Lazer
Alguns freqüentadores criticam a proibição e reclamam que o local era o único lugar na cidade onde os jovens podiam se divertir nos finais de semana. O mecânico Paulo Eduardo da Silva, 26 anos, explica que já freqüentou o local e acredita que agora os jovens vão procurar diversão em outras cidades. “Se os jovens de Piratininga saírem daqui nos finais de semana e forem para Bauru, eles vão gastar o dinheiro lá”, diz, lembrando que também é preciso considerar a questão econômica e que sempre existe o risco de acontecer acidentes nas estradas quando os jovens retornam às suas casas de madrugada.
Para o estudante Luís Fernando Neto Comine, 21 anos, o lugar ficou “queimado” depois da proibição de se estacionar veículos após as 23h. “O único lugar que tem para sair aqui na cidade é lá. Agora, as pessoas vêem as faixas e ninguém pára mais. Era um lugar gostoso para ficar de noite, onde tinha bastante gente e agora acabou”, lamenta.
O balconista Reginaldo Bastos, de 23 anos, disse que continua a freqüentar o local, mas somente até o horário permitido. “Eu fico até as 23h e depois disso eu tenho que ir embora”, critica.
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Prejuízo
O comerciante Rodrigo Dotto da Cruz, 36 anos, é proprietário de uma barraca de lanches que funcionava há cerca de 16 anos no local. Segundo ele, teve que deixar o ponto por causa da pressão dos moradores. “A proibição acabou com o meu sustento. Faz 16 anos que eu tinha a barraca (no local)”, lamenta.
Roberto Braga, um dos moradores que pediram providências ao MP, diz não ser contra o uso do local pelos jovens, mas acredita que era preciso estabelecer normas e que agora a situação melhorou. “Ficou ótimo porque chega 23h a polícia vem aqui e não fica nenhum carro”, comenta. A opinião de Braga é compartilhada por Lúcia. “Está ótimo e esperamos que continue assim”, conclui.
Por outro lado, o balconista Bastos reclama da falta de opções de lazer dos jovens na cidade no final de semana. “Não tem um clube, não tem nada. A única diversão aqui era este local”, lamenta.