Botucatu - A greve dos funcionários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pode comprometer, dentro de alguns dias, o estoque de produtos e medicamentos hospitalares do Hemocentro do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), principalmente os importados.
A Anvisa é a responsável pela liberação dos produtos da área médica no País, inclusive os importados. A greve dos funcionários da agência completou ontem 57 dias
Segundo André Luís Balbi, presidente da comissão de farmácias do Hospital das Clínicas, a albumina humana, utilizada em pacientes em tratamento na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) está com o estoque baixo. O produto, segundo Balbi, é utilizado para diversas situações em pacientes que apresentem quadros pós-operatório, de choque, e pacientes que apresentam inchaço no corpo.
“O que usamos aqui no hospital em terapia intensiva e que está mais nos preocupando atualmente é a albumina humana”, comenta Balbi, ressaltando que só não está havendo ainda falta de medicamentos devido ao estoque mantido pelo HC. Mas, segundo ele, o estoque é suficiente para atender os pacientes apenas por um mês. No caso da albumina humana e algumas drogas quimioterápicas, o estoque é menor e deve durar apenas uns 15 dias.
Além da albumina humana, algumas drogas utilizadas em tratamentos quimioterápicos também podem ficar com o estoque comprometido, caso a greve dos funcionários da Anvisa não termine.
José Mauro Zanini, diretor técnico do Hemocentro do HC, revela que o estoque de kits de afereses (utilizado para coletar plaquetas de doadores de sangue) está baixo e caso o lote importado pelo HC dos Estados Unidos não seja liberado pela Anvisa, a coleta do material ficará comprometida dentro de alguns dias. O produto coletado é utilizado em pacientes que fazem tratamento de quimioterapia, têm leucemia e que necessitam tomar o concentrado de plaqueta.
Segundo Zanini, o Hemocentro utiliza cerca de 20 kits por mês e o estoque atual é suficiente apenas para mais um mês. “Nós estamos aguardando um novo lote que era para ter chegado no começo do ano. Ele chegou mas está parado na alfândega. Se a greve continuar mais um mês, nós vamos ter problemas”, lamenta, ressaltando que o lote esperado é suficiente para um período de seis meses.
Balbi torce para que a greve termine logo para não comprometer o atendimento aos pacientes. “A gente espera que a greve termine logo porque apesar de ainda não estarmos numa situação desesperadora, já começa a ficar preocupante”, conclui.