Brasília - O Google, que é proprietário do Orkut, aceitou ontem abrir os dados dos internautas suspeitos de veicular páginas e comunidades de pedofilia. Foi o que afirmou ontem o diretor jurídico do Google David C. Drummond, em audiência pública convocada pela Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.
Drummond foi chamado pela comissão para dar explicações sobre as diversas páginas do Orkut que apresentam material criminoso, como incentivo à prostituição infantil, tráfico de drogas, racismo. Mas a principal preocupação dos membros da comissão, bem como do Ministério Público e da Polícia Federal (PF), é a crescente abordagem à pedofilia online.
Segundo Thiago Tavares de Oliveira, da ONG Safernet (www.safernet.com.br), o Brasil é um dos quatro países com maior número de internautas pedófilos no mundo. “Estamos atrás somente dos EUA, da Rússia e da Coréia”. Em menos de dois meses, o site Safernet recebeu mais de 14 mil e-mails com denúncias sobre comunidades e conteúdo inapropriado no site de relacionamentos.
A maioria das reclamações era ligada à material sobre pedofilia, mas há denúncias de racismo, machismo e prostituição infantil. O maior empecilho para coibir os crimes digitais é o anonimato que a rede mundial de computadores garante. E, por isso, promotores do Ministério Público insistem para que o Google envie os dados dos internautas afiliados ao Orkut, quebrando assim o sigilo das informações para que possam chegar aos autores. Coisa que, até hoje, o site se negava a fazer. “O Brasil é o país com o maior número de usuários inscritos no Orkut. É claro que temos o maior interesse em ajudar”, disse Drummond.
Até hoje, o Google nunca havia se pronunciado sobre a forma como iria auxiliar na coibição a páginas criminosas no Orkut. Tanto que, segundo o procurador Sérgio Suiama, em dois anos, o Ministério Público enviou 30 ordens judiciais ao Google, sempre requerendo dados de usuários e pedindo a retirada de comunidades e o Google quase nunca deu prosseguimento. “Só uma vez conseguimos tirar uma comunidade do ar. Tratava-se de conteúdo para skinheads de extrema direita que pregam o racismo e o preconceito contra minorias.”