08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Estamos esperando o quê?


| Tempo de leitura: 3 min

Recebi muitos e-mails e telefonemas a respeito de minha crônica “A dança do deboche”. Então, senti como parte da população brasileira está realmente indignada com essa onda de caradurismo e impunidade que conspurca o País.

Para quem não leu a crônica porque não teve oportunidade ou porque de fato não se interessou, esclareço tratar-se de meu veemente repúdio àquela dancinha estúpida da deputada petista Ângela Guadagnin, em plena Câmara dos Deputados, comemorando a não-cassação de João Magno, seu coleguinha mensalista. Naquela matéria eu perguntava, encerrando o assunto: “Estamos esperando o quê, hein?”

Pois bem, após a publicação da crônica, torno à pergunta: Estamos esperando o quê para dar um basta nessa série de condutas nojentas, escusas, antiéticas de grande parte de nossos políticos? De todos os e-mails e telefonemas recebidos, ninguém me deu uma alternativa, uma saída para escaparmos dessa sujeira... Uma das pessoas que me contactou chegou até a dizer que a última frase do artigo foi a melhor e mais contundente de todas: “Estamos esperando o quê, hein?” Mas a pessoa em questão também não sabe o quê estamos esperando para a canoa virar, olé, olé, olá...

Pois eu vou dizer o que acho dessa situação. Uma parte da população - aquela que pensa, pondera, analisa, sente - ainda está esperando Godot. Ainda está naquele compasso de dúvida, de espera, sem ter a dimensão exata do poderio que tem nas mãos como cidadão. Eu reverbero: chega de esperar! Está na hora de agirmos, de mobilizarmo-nos. Como?

A palavra tem um enorme poder de persuasão. Então, primeiro vamos falar, botar a boca no trombone (como diria nosso presidente) e gritar nossa indignação a todos os circunstantes. Boca a boca, façamos valer nosso poder de argumentação, demonstrando as falcatruas desse famigerado (des)governo. Apontando e desaprovando, em nosso cotidiano, em nossas conversas, essas atitudes descabidas de todos que traíram nosso voto. Vamos mandar cartas para os jornais regionais, para as revistas, manifestando nosso ponto de vista. Execrando a politicagem rasteira, os sofismas, as negativas de todos que dizem não saber de nada... Que o Jamanta não saiba, até dá para entender, porque o Jamanta tem um retardo, mas... bem, deixemos pra lá! Já deu para entender.

Em segundo lugar, se houver em seu entorno alguma mobilização, seja através de passeatas, seja através do uso de camisetas (ou até mesmo de um nariz de palhaço), de adesivos em carros, com dizeres contrários ao “status quo”, participe, não tenha vergonha! Se eles “lá de cima” não têm vergonha de usar e abusar de condutas imorais, por que nós, cidadãos, vamos nos encolher em nosso canto e permitir que usurpem nossos mais lídimos direitos?

E agora, o conclusivo: tracemos um plano de ataque para as próximas eleições. Não vamos anular o voto, não, como muitos estão pregando por aí. Votar é importantíssimo! É a forma mais abrangente de manifestar nossa aprovação ou desaprovação. Vamos nos posicionar, lendo os jornais, as revistas, ouvindo os noticiários de rádios e tevês, que sempre fornecem listas exaustivas de “quem é quem”. Ao escolher em quem votar, analise bem a vida pregressa desse candidato. Se já é um político militante, reveja suas posições no Congresso, como já atuou em condições que exigiam uma definição moral. Não transija. E se é alguém que nunca ocupou um cargo político, estude bem a vida dele como partícipe da sociedade, seja como religioso, como educador, como sindicalista, como empresário etc. Reveja as posições que sempre tomou, se foi coerente, honrado.

Bem, se depois de tudo isso não conseguirmos mudar as cores deste País, não é preciso seguir os conselhos daquele ex-presidente que falou em dar “um tiro no coco” (mas que dá vontade, dá...). Aí, meu amigo, se, apesar de tudo, não conseguirmos mudar nadica de nada, só me resta sugerir: compre uma passagem de ida para o Paraguai...

Maria da Glória De Rosa