09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O País quer vê-los livres


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Desde que o vestibular foi criado, as escolas têm se tornado vitrines onde seus melhores alunos, o que não significa que serão melhores profissionais, são fruto do “ensino de elite”. Fica claro, portanto, de que estamos falando de escolas particulares, pois as públicas, coitadas, nem possuem condições mínimas para este debate.

O vestibular tem mudado a rotina de estudo nas escolas, fazendo com que alunos aperfeiçoem o sentimento de competição – inclusive com os próprios colegas de sala -, deixando de lado elementos importantes para a solidificação do processo de formação de um cidadão, ex- função dos colégios.

De acordo com pesquisa realizada pelo instituto DataFolha, entre 16 melhores colégios do Estado de São Paulo, a característica marcante é o estímulo a hiperconcorrência entre os alunos. E também mostrou que certa escola da Capital deste mesmo Estado possui “salas para 600 alunos, com baias individuais, disponíveis até 22h, para que os alunos se exercitem”. Mas, após a leitura destes dados surpreendentes, questiona-se: Qual a verdadeira função de uma instituição de ensino? Formar cidadãos ou apenas vestibulandos em série?

“Todo mundo diz que só estudam em véspera de prova: pois aqui o alunos estudam todo dia, já que aplicamos quatro provas semanais”. Esta afirmação, de um diretor de escola particular, demonstra o “novo” jeito de ensinar. A fórmula para esta nova forma é simples: formar robôs. Formar pessoas que nem se quer sabem cantar o Hino Nacional. Formar experts em vestibular. Para as escolas, nada melhor do que alunos aprovados nas melhores faculdades, até porque assim podem encher páginas em mais páginas dos principais jornais com fotos e suas respectivas aprovações. As particulares tomam uma fatia de mercado importante, onde o lucro, quase sempre, vem em primeiro lugar.

Sabemos que acabar com o vestibular não é simples. Para isto, seria necessário a criação e expansão dos câmpus das principais universidades, fazendo com que os “terceiro-anistas” tenham vagas em boas universidades. Essa garantia de ingresso à faculdade deixaria professores mais tranqüilos e haveria tempo excedente para a realização de outras atividades que tenham maior peso na vida prática de nossos alunos. Por exemplo, aulas ao ar livre, possibilitando a conscientização de problemas com o meio ambiente e também aulas práticas de laboratório, o que implicaria em um maior interesse por parte dos alunos e assim, despertando o ego do professorado.

O sistema falido da escola pública gera lucro aos que vendem métodos de ensino mais aptos a transformar o alunos em calouro. E, independentemente da escola que cursa, o aprendiz tem – apenas e infelizmente - duas opções: ou ser um robô e ter chance de ingressar nas melhores faculdades ou não ter um ensino básico e deixar levar-se por cotas para alunos egressos das “escolas” públicas.

Renan dos Reis - estudante