Muito longe das bruxas das piadas e das megeras das novelas. Atualmente, as sogras, que comemoram hoje o seu dia, ocupam um lugar fundamental nas famílias. Com as mães trabalhando, elas auxiliam no dia-a-dia das casas e, em muitos lares, são a única fonte de renda.
“Ela foi uma mãe para mim”, conta Edvan Jó Araújo, genro de Maria Cândido. Quando a esposa de Araújo estava no final da gravidez, sua sogra se mudou para a casa da família. Depois do nascimento das gêmeas Larissa e Letícia, ela permaneceu por quase um ano. “Como a minha família mora muito longe de Bauru, a ajuda dela foi fundamental”, lembra Araújo. Atualmente, a sogra ainda é requisitada sempre que o casal precisa. “Foi muito gostoso poder ajudar“, conta Cândido. Ela ainda cuida de um outro neto que mora em sua casa. “Minha filha vai trabalhar e eu fico com ele, levo para a escola, ajudo no que posso”, diz.
Antônia Crivellari Creppe, sogra de Sônia, sempre se oferece para ficar com os netos André, 3 anos e Augusto, 1 ano. “Você já viu avó, né? Fica sempre babando”, confessa. Para a fonoaudióloga Sônia, a sogra ajudou muito. “E continua ajudando. Atualmente, os meninos estão na escola, mas sempre que precisamos ela auxilia”, aponta. Ela ressalta que seu marido também se dá muito bem com a sua mãe. “Nós somos muito ligados à família e queremos passar essa importância para os meninos”, afirma Sônia.
Tereza Patrício Teófilo já está se programando para redobrar os cuidados com Pietra, sua primeira neta. Assim que sua filha voltar a trabalhar, ela passará a cuidar do bebê, que hoje tem sete meses. “Estamos vendo como vai ficar. Acho que vou cuidar da Pietra enquanto ela estiver fora da escolinha”, planeja. Segundo ela, a chegada de Pietra não modificou muito a sua rotina. E quando tiver de se dedicar mais à neta, acredita que não deixará de lado suas atividades.
“Acho que a única coisa que vou ter que diminuir, é sair com as amigas”, conta, falando sobre as sessões de baralho. Teófilo garante que o estigma da sogra que pega no pé não combina com ela. “Tive sorte de ter dois genros maravilhosos. Adoro eles”, garante.
Para a psicóloga Maria Regina Vanin, existe um mito em relação à figura da sogra. “É até um certo preconceito”, avalia. Ela explica que todas as pessoas que mantêm vários interesses e desempenham diversos papéis tendem a ser menos controladoras. As que se voltam muito a uma outra pessoa ou se anulam em relação a ela, possuem a tendência a cobrar e exigir mais do outro. E tendem a ser sogras que causam problemas.
“A mulher que se apegou somente à família, tende a ficar presa aos filhos, mesmo depois que eles se casem. Aí sentem ciúmes, querem controlar”, conta. Mas ela ressalta que esse tipo de mulher já não é mais tão comum. “Hoje, a maioria das mulheres desempenha diversos papéis, não só o de mãe. E nesses casos, fica mais fácil. Ela não é tão voltada para regular e os atritos são menores”, observa.
Mas, para a especialista, a sogra que é avó e ajuda no dia-a-dia da casa, está ficando cada vez mais difícil de ser encontrada.
“As avós estão menos disponíveis. Atualmente, você encontra avós trabalhando e mesmo quando se aposentam, têm uma vida social muito ativa”. Ela aponta que nem todas as mulheres que são avós hoje, tiveram a oportunidade de se profissionalizar no passado. “A tendência é que, com o passar dos anos, esse tipo de avó dê lugar a outro. Existe uma nova geração e uma nova época”, afirma.
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Arrimo de famílias
“O mito pejorativo da sogra está acabando. Hoje, ela desemprenha um papel fundamental na manutenção dos lares“, avalia a professora de economia Salete Rossini Lara. E a dependência das sogras aumenta nas classes sociais mais pobres. “Verificamos que casas onde a única fonte de renda são as avós e sogras, são mais comuns na classe C. Nas classes A e B, elas ainda estão trabalhando”, observa Lara.
Ana Elisa de Moraes, assistente social do Escritório Jurídico da Instituição Toledo de Ensino (ITE), concorda. Segundo ela, a cada 25 famílias atendidas na entidade, cinco são mantidas pelas sogras/avós “As sogras, avós e aposentadas ajudam e, muitas vezes, são a única fonte de renda. Além da aposentadoria, muitas, mesmo com a idade avançada, trabalham com faxina, para sustentar a família”.
A questão, evidencia a assistente social, é a necessidade de subsistência. Essas famílias, aponta Moraes, são facilmente encontradas nos bairros da periferia de Bauru, como Jardim Jaraguá, Parque Real, Núcleo Fortunato Rocha Lima, Vila São Paulo, Núcleo Nova Bauru e Vila Nova Esperança. Geralmente, moram na mesma casa os avós, com os filhos e os netos. De acordo com Moraes, elas complementam o orçamento, ajudam na compra do material escolar e a cuidam das crianças.