09 de julho de 2026
Geral

Com kit, hospitais normalizam cirurgias

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 2 min

Embora mais quatro cirurgias não-emergenciais tenham sido canceladas ontem em Bauru por causa da greve de fiscais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a situação nos hospitais do município começa a ser normalizada. Por conta da paralisação, que já terminou, estava faltando kit necessário para preparar o sangue usado nas transfusões. Mas no final da tarde o Hemonúcleo recebeu o material e passou a liberar sangue aos hospitais.

Mesmo assim, uma cirurgia cardiológica e uma neurológica tiveram de ser suspensas no Hospital de Base, conta Reinaldo Rocha, superintendente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), entidade que mantém o hospital. Anteontem, a unidade havia cancelado seis cirurgias pelo mesmo motivo.

Rocha avalia que o atendimento deve estar totalmente normalizado até segunda-feira, quando está previsto o recebimento de uma nova remessa do kit de preparação do sangue, que deve ser suficiente para mais 15 dias. Também por conta da greve, no AHB estava faltando Becenun, medicamento usado no tratamento de câncer.

Ainda ontem, de acordo com Rocha, chegaram 20 ampolas do remédio, compradas numa distribuidora do Estado do Paraná.

Ele ressalta que serão suficientes para os pacientes cumprirem todo o tratamento. “Provavelmente, dentro dos próximos dias, todas as atividades nas unidades de saúde sob a nossa responsabilidade serão normalizadas. Acredito que mais nenhuma cirurgia ou medicação terão de ser interrompidas em razão da greve”, observa Rocha.

O Hospital Estadual (HE) de Bauru também cancelou duas cirurgias eletivas programadas para ontem por causa da falta de sangue em decorrência da greve. Ao todo, contando com os procedimentos adiados na quarta, foram suspensas duas operações de ortopedia, uma de clínica geral e outra de paciente vítima de queimadura.

Uma quinta cirurgia deixaria de ser realizada ontem, mas o sangue chegou a tempo, segundo informou Eleide Bérgamo, assessora de imprensa do hospital. O Hemonúcleo voltou a fornecer sangue para os hospitais ontem, logo após receber o kit para processamento do material. Os atendimentos no Hospital da Unimed de Bauru e no Hospital Beneficência Portuguesa não chegaram a ficar comprometidos.

Manipulação

A greve dos fiscais da Anvisa não chegou a causar a falta de remédios em drogarias de Bauru consultadas pelo JC. Mas em pelo menos uma farmácia de manipulação, a produção começou a ficar comprometida por conta da redução de matéria-prima. Segundo Silvio Carazzatto, gerente-administrativo da empresa, são manipulados dez mil medicamentos ao mês, entre cápsulas, cremes, xampus, loções e xaropes.

Desse total, houve uma redução de 5% na produção, nos últimos 15 dias. Por ora, faltam papaína (para queimaduras) e ivermectna (para combate a piolhos e outros parasitas). “Ainda estamos conseguindo atender os clientes porque temos trabalhado com um estoque suficiente para três meses. Entretanto, se a paralisação continuar por mais 30 dias, nossa produção será afetada em 30%”, destaca Carazzatto.

O gerente ressalta que 90% dos medicamentos que a farmácia manipula dependem de matéria-prima importada, hoje parada nos portos alfandegários por conta da greve da Anvisa.