09 de julho de 2026
Nacional

Helicóptero cai na Lapa e mata três

Por Afra Balazina, Fábio Takahashi e Luísa Brito | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Um helicóptero caiu ontem à tarde em uma rua na Lapa, bairro da zona oeste de SP. Na queda, a aeronave atingiu o teto de um prédio de dois andares e explodiu ao se chocar com o chão. Os três ocupantes, o piloto e dois funcionários da Eletropaulo, morreram carbonizados.

A aeronave, que estava a serviço da Eletropaulo, queimou por cerca de dez minutos - ficando totalmente destruída, com exceção da cauda, que ficou presa em fios e galhos de árvores. Com o barulho e o fogo, moradores e funcionários das empresas da rua do Curtume chegaram a entrar em pânico. Algumas mulheres desmaiaram ao ver a cena. Ninguém que passava no local se feriu.

O acidente ocorreu às 14h, quando a maioria das pessoas que trabalha na região já havia retornado do almoço. Os corpos - do piloto e de dois funcionários da Eletropaulo - ficaram irreconhecíveis. A Plana Brasil, proprietária do helicóptero, disse que o piloto morto na explosão se chama Átila Limp das Costa Mafra, 29 anos. Já a Eletropaulo não divulgou os nomes dos seus funcionários envolvidos no acidente, porque as famílias ainda não haviam sido localizadas.

Segundo a empresa, os dois eram técnicos em eletrotécnica, com cerca de 30 anos, eram casados e eram funcionários desde 97. Perto do local do acidente, em um condomínio vizinho ao prédio atingido, há uma quadra esportiva onde crianças brincavam. As causas da queda ainda estão sendo apuradas. Testemunhas afirmam que o motor da aeronave parou de funcionar subitamente, o que indica uma pane.

Inspeção

O helicóptero, modelo Bell 203 Jet Ranger (prefixo PTHOQ), realizava inspeção aérea das linhas de transmissão da Eletropaulo. Os fios ficam paralelos à rua do Curtume, onde ocorreu o acidente. O helicóptero voava a 15 metros dos fios, que ficam a 15 metros do solo, para verificar se havia algum problema. Testemunhas afirmam que na altura de uma subestação da Eletropaulo, a cerca de 500 metros do local da queda, a aeronave começou a retornar. Logo em seguida, o barulho das hélices cessou, e a aeronave caiu vertiginosamente.

Na queda, o helicóptero atingiu a quina do teto de um prédio de dois andares (em que funciona uma empresa de logística), depois os fios que passam na rua e, finalmente, chocou-se ao chão. Neste momento, de acordo com pessoas que viram a cena, ocorreu a explosão. O fogo deixou um poste com cerca de 5 metros, originalmente cinza claro, totalmente preto. “Veio um clarão em nossa direção e um bafo quente”, afirmou Thiago Maiellaro, 22 anos, que trabalha na empresa de logística.

A explosão ocorreu em frente à firma - os efeitos do choque foram sentidos por meio de uma grande janela que fica no segundo andar. “Todo mundo saiu correndo. Era tanta fumaça que não dava para ver o outro lado da rua.” A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já investiga o caso e deve divulgar em até 90 dias um laudo com as causas do acidente.

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1º acidente em 30 anos

São Paulo - A Eletropaulo informou que não há registro de outros acidentes com helicópteros nos 30 anos em que a empresa executa o serviço de inspeção aérea nas linhas de transmissão.

Para poder fazer o trabalho, o helicóptero fica a cerca de 15 metros de distância da linha e a 30 metros do solo. Pelas regras da aviação civil, os helicópteros devem voar a pelo menos 150 metros do chão. Segundo o presidente da Eletropaulo, Eduardo José Bernini, a concessionária, possui autorização especial dos órgãos de aviação civil para realizar o vôo.

A Eletropaulo trabalha com a Plana Brasil, dona do helicóptero, desde meados do ano passado. Bernini disse ainda que a empresa inspeciona três vezes por ano os 1.700 km de linha de transmissão que possui em São Paulo e em outros 24 municípios de sua área de concessão.