11 de julho de 2026
Nacional

Morre o sambista Guilherme de Brito, aos 84 anos, no Rio

Por Luiz Fernando Vianna | Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Guilherme de Brito, um dos maiores letristas da música brasileira, morreu às 18h15 de anteontem, aos 84 anos, no Rio. Ele foi internado no início de abril no hospital Mayer, no Maracanã (zona norte), com pneumonia e vítima de um infarto. Nos últimos dias, em quadro de falência múltipla dos órgãos, já estava sedado e respirando com a ajuda de aparelhos. O enterro seria ontem, às 15h, no cemitério do Catumbi.

Quase toda a sua obra foi criada em parceria com Nelson Cavaquinho (1911-1986). Com ele fez sambas que se tornaram clássicos, como “Folhas Secas” e “A Flor e o Espinho” - de onde saiu seu par de versos mais famoso, reconhecido como um dos mais bonitos da música nacional: “Tire o seu sorriso do caminho/ Que eu quero passar com a minha dor”.

Morador de Ramos (zona norte), Guilherme via com freqüência Nelson bebendo e cantando em um bar próximo de sua casa. Um dia tomou coragem e lhe mostrou a primeira parte de um samba. Nelson aceitou completá-lo e a parceria começou. Embora não freqüentasse a Mangueira, fez para a escola, com Nelson, sambas que ficaram famosos, como “Pranto de Poeta” e “Folhas Secas” (“Quando eu piso em folhas secas/ caídas de uma mangueira/ penso na minha escola/ e nos poetas da minha Estação Primeira”).

“Era um grande poeta, melodista, cantor, pintor e teve com Nelson Cavaquinho um casamento perfeito. “Folhas Secas’ é muito importante na minha vida porque eles fizeram para mim. Nunca deixo de cantar nos shows. Sempre vai faltar o reconhecimento devido a um artista como Guilherme”, declarou a cantora Beth Carvalho.