08 de julho de 2026
Geral

Perseguir é uma atitude típica de ex

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Para a psicóloga clínica e terapeuta de casais Luciana Maria Bien Neuber, os “stalkers” são pessoas que não lidam muito bem com as frustrações e que não sabem encarar um “não”. “Geralmente, são pessoas que não sabem lidar com essas situações, que na história de vida delas não aprenderam a perder”, frisa.

Ela explica que o perseguidor não aceita que as coisas não sejam como ele quer. “Eles vão fazer de tudo para conseguir aquela pessoa, seu objeto de querer. É típico do ex ou da ex. Há casos ocorridos entre amantes”, comenta.

Neuber esclarece que existe dificuldade muito grande do ser humano em colocar limites de modo em geral. “O perseguidor tem essa dificuldade. Não consegue compreender e aceitar até onde vai o limite dele porque o dele (limite) acaba onde começa o do outro. Ele não tem consciência disto”, ressalta a psicóloga.

A busca pelo objeto de desejo pode se tornar obsessivo. “Ele se torna obcecado por aquela pessoa e tem atitudes gravíssimas. Começa a fazer chantagens, sempre voltadas contra ele mesmo. Promete se matar e há casos em que a pessoa promete tirar a vida e a do outro também”, ressalta.

As chantagens são mais leves quando a pessoa não sabe aceitar o “não”. “Algumas pessoas tidas como “mimadas” não aceitam o “não” porque ninguém fala “não” para elas. Chantagens leves, a terapia consegue resolver. São pessoas que não têm outros traços de personalidade perturbadoras”, pondera.

Mas quando, além de “mimada”, a pessoa tem outros traços perturbadores de personalidade, o caso é mais grave. “Existem indivíduos com traços perturbadores de personalidade mais graves e que apresentam não só este tipo de comportamento”, agrava.

Os “stalkers” desse tipo apresentam sintomas que podem ser detectados antes do rompimento da relação. “A vítima pode perceber antes do rompimento, observando se a pessoa apresenta problemas de agressividade verbal e não-verbal, por exemplo”, afirma.

Na opinião da psicóloga, o stalker precisa de ajuda porque toma atitudes perseguidoras por um comprometimento emocional. “Se será doença ou não, depende do grau e atitudes dele”, opina

Neuber percebeu que nos últimos anos tem aumentado os casos de ex que perseguem seu objeto de desejo. “No consultório nós percebemos que tem aumentado o número de casos de uns tempos para cá. Antigamente, não era tão comum”, admite. Ela diz que atende tanto vítimas quanto “stalkers”.

“São vítimas, “stalkers” e amantes. Muitas vezes a pessoa tem uma terceira relação e para ela é apenas uma aventura. E isso não fica claro para a outra pessoa. Como o aventureiro não encerra o caso, não só ele passa a ser perseguido, mas sua família também”, avalia.

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Bombardeio emocional

A vítima do “stalker” sofre um bombardeio emocional, ressalta a psicóloga Luciana Bien Neuber. “Terminar um relacionamento é difícil e não só para quem é deixado, mas também para quem decide pelo rompimento. Muitas vezes, o relacionamento acaba sem um motivo palpável e o outro não aceita”, observa.

Aquele que não aceita, passa a perseguir o ex, que poderá ter vários tipos de alterações em sua vida. “Sofre um bombardeio emocional e isso pode ter reflexos na vida pessoal”, diz. O bombardeio pode desencadear um quadro depressivo. “A vítima pode desenvolver o medo e até pânico, porque ela fica com a sensação de que a qualquer momento pode ser atacada”, explica.

Essa sensação também poderá ocasionar uma neurose de perseguição. “Ela está sendo perseguida realmente e perde a paz. Há casos, como o recente ocorrido em Pompéia com uma estudante, em que o “stalker” interfere na moral da pessoa”, diz ela referindo-se ao caso de uma jovem cujas fotos em cenas de sexo foram colocadas na Internet.